Destaques

BURLE MARX EM DESTAQUE

Nova Iorque o Homenageia

Paisagismo é o tema

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Burle Marx é um paulista que muito honra a sua terra natal, a Nossa São Paulo.

Foi um homem que muito fez pela natureza e pelo cultivo do meio ambiente, no mundo urbano.

Foi um excelente paisagista.

Cuidou do meio ambiente, em espaços públicos, em espaços particulares, em grandes clubes e em grandes condomínios, onde se destaca sempre a Calçada Portuguesa, por sua beleza e por seu excelente valor ecológico.

Enquanto Nova Iorque o homenageia, o Brasil o esquece.

Burle Marx está sendo homenageada, em uma grande exposição, no Jardim Botânico de Nova Iorque.

Quem cuida desta grande exposição é um discípulo de Burle Marx.

O piso do espaço da exposição é inspirado no Calçadão de Copacabana, em Calçada Portuguesa, desenhado por Burle Marx. Uma Calçada Monumental, de fama mundial: Uma das maravilhas do Rio de Janeiro.

Burle Marx, é gente de nossa.

A calçada portuguesa e a natureza brasileira, são marcas que ele sempre cultivou, por sua grande beleza.

Aliás a Calçada Portuguesa é marca presente por todas as grandes cidades do Brasil, de norte a sul.

No entanto, em alguns lugares, sofre com o desleixo e o descaso das autoridades, como todo o mais.

Muitos não levam  a sério o espaço de nossa gente!

Enquanto Burle Marx como muitos outros urbanistas e paisagistas levaram a calçada portuguesa pelo mundo, São Paulo na contramão da história arranca e reduz a lixo mais de um milhão de m2 de calçadas portuguesas de São Paulo. Isto é um desplante ou atitude insana.

Se isto não for descalabro e um crime estético e ambiental e econômico, então não sei o que é!

Mas voltamos a Burle Marx:

Congratulamo-nos com Nova Iorque, por esta homenagem merecido.

Cumprimentamos também o Brasil, pelo filho que deu ao mundo.

Bem Hajam todos os que sabem levar arte ao mundo urbano e procuram fazer a cidade e o mundo, espaços mais saudáveis, agradáveis e acolhedores para os humanos.

Texto – J.Peralta

foto: Cortesia NYBG ( Google)

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ibate-SP

A RODA DA MISERICÓRDIA

OU ALFORRIA DOS INOCENTES

Uma Alternativa ao Aborto

  1. Foi divulgado na grande imprensa nacional, no Brasil, um acontecimento que faz pensar a quem tem responsabilidade social: uma jovem escondeu sua gravidez indesejada da família. Após dar à luz o seu filho, descartou-o jogando-o, embrulhado, em um terreno baldio, do outro lado de um muro, de quatro metros de altura, vizinho ao seu quintal. Pelo choro, alguém descobriu a criança e encaminhou-a às autoridades. Descoberta, a mãe tem contas a pagar à justiça. Este é um fato, triste e trágico, entre muitos milhares diários.
  1. Até o ano de 1950 no Brasil, existia uma multissecular e benemérita instituição, denominada Roda da Misericórdia, também chamada Roda dos Enjeitados ou Roda dos Expostos

A Roda sempre esteve disponível nos Conventos Femininos e nos Hospitais – Santas Casas de Misericórdia. Na Roda da Misericórdia, as famílias depositavam doações anônimas de gêneros alimentícios, para a manutenção das religiosas.

Na mesma Roda da Misericórdia, as mulheres que engravidavam em condições não aprovadas socialmente, depositavam secretamente seus filhos não desejados, para lhes garantir um nome e cidadania, de alguém que viesse a adotá-los. “Proibidas” socialmente de mantê-los, as mães preservavam suas vidas, com a compreensão da própria sociedade, que lhes dava uma alternativa digna.

  1. No nosso tempo destrambelado, hipócrita e desumano a instituição da Roda foi abolida.

As mulheres que, por algum descuido, engravidarem têm uma única saída criminosa: abortar, ou, depois que a criança nascer, descartá-la, como se fosse algo inanimado…

Para resolver o impasse, a nossa sociedade, hipócrita e sádica, propõe-se a legalizar o aborto. A mãe, sem cometer crime legal, pode matar o feto, para não ser incomodada…

  1. Diante destas duas soluções antagônicas: A Roda da Vida ou o aborto: a Matança dos Inocentes, por longo tempo penso em uma saída humana para esta tragédia.

Depois de muito pensar, veio-me uma terceira saída, como opção digna: que a sociedade restaure a Roda da Misericórdia, em novas dimensões:

A toda a mulher, que venha a ter um filho “indesejado” e que não puder pagar médico para a assistir ou hospital para dar à luz, serão concedidos todos os direitos, em caráter de irrestrita privacidade, tais como: assistência médica gratuita, exames e orientação, pré-natal, parto assistido e acompanhamento pós-parto.

Esta solução poderia ter o nome de “Proteção dos Inocentes” ou “Roda da Vida”.

  1. Deve ficará estabelecido em lei que o Estado assumirá a responsabilidade de cuidar dessas crianças, inclusive procurando uma família que a adote e cuide de sua saúde, educação e bem-estar.

O Estado deve acompanhar a vida dessa criança e o tratamento que a família adotiva lhe proporciona, até os 14 anos de idade, no mínimo.

O Estado deverá providenciar o surgimento e o apoio a instituições particulares, do tipo “Aldeias SOS”, financiadas e cuidadas por empresários, para possibilitar uma real socialização a essas crianças. Já existem outras instituições deste gênero.

PROJETO DE LEI

  1. Proponho que algum Deputado Federal ou Estadual proponha um projeto lei deste molde.

Este projeto, de alta densidade humana, deveria estar preparado para atender algumas centenas de mulheres/jovens por mês.

  1. O Projeto de Lei “Proteção dos Inocentes”, também deveria estimular a organização de casas especializadas por instituições particulares ou públicas, de preferência sem fins lucrativos, para atender condignamente essas mulheres, e cuidar de suas crianças.

As crianças não adotadas estariam à disposição das mães que poderiam retomá-las logo que pudessem cuidar delas.

Um projeto desta natureza, diminuiria em muito o número das crianças e malfeitores que têm a rua como escola do crime e da violência urbana.

Em contrapartida, dando às crianças uma educação de caráter adequada e um lar com dignidade, em cada criança teríamos mais um jovem ou adulto capaz de contribuir para o bem estar social e de ganhar o próprio pão com o suor do seu rosto, como fazem as pessoas dignas.

Leitor: Leve este esboço de sugestão para um deputado ou vereador seu amigo.

Você estará ajudando a criar uma sociedade mais justa.

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O 4º Rei Mago

REIS MAGOS, VENTUROSOS

Chegada do 4º Rei

  1. Jorge Peralta

I – Aurora de um Novo Tempo

Presépio em Nova Dimensão

  1. A celebração dos Reis Magos, no dia 06 de janeiro, faz parte dos desdobramentos da Celebração do Natal Cristão. A presença dos Reis Magos e sua partida encerram o Ciclo do Natal, e abrem uma Nova Era, além fronteiras da Judéia. É a Epifania: Cristo exposto ao mundo.

Os Reis Magos marcam a Aurora de um Novo Tempo: A fraternidade Universal, aberta a todos os povos.

Os três Reis Magos fazem parte do cenário mágico e cheio de encanto do nascimento de Cristo, ambientado na Gruta de Belém, que é uma das mais belas e mais singelas marcas do cristianismo. Cria um ambiente cheio de beleza, simplicidade, despojamento e encantamento espiritual, como uma nova mensagem ao mundo.

Não pode haver quem não se sensibilize e se encante com este cenário vivo, versátil e inspirador… Todos sentem que algo se anuncia, como um sonho dourado…

  1. Em torno do Presépio respira-se uma atmosfera de mais profunda espiritualidade e humanismo, num sentimento de reconciliação universal e de confraternização das pessoas de todas as classes sociais. Suprem-se as barreiras que confinam as pessoas.

Há uma sensação de liberdade no ar. Uma revolução pacífica, sem traumas. O símbolo é um Menino: a força da vida vencendo a força da barbárie.

Um profundo ar de mistério e de claridade enche a amplidão.

O Presépio de Natal marca o reencontro do céu e da terra, dos humanos, e dos animais, dos mortais e dos imortais. O reencontro de todos os viventes em torno do Altíssimo: o canto e o encanto das criaturas.

  1. O Presépio de Natal, o estábulo, é um longo e vibrante discurso, com poucas palavras e muita ação. Entenda quem lê, escuta e vê.

Os grandes princípios, os pilares do cristianismo e do humanismo estão bem claros, implícitos e explícitos, na simplicidade despojada do Presépio e em toda a interação, em muitas dimensões, que aí se manifestou: humanos, seres celestiais, pastores, rebanhos, cantos, danças, gente pobre, gente rica, homens, mulheres, jovens e crianças, a vaca, o burrinho, os Reis Magos, o Governador da Galiléia, etc, etc.

Todos os viventes, de todos os tempos e espaços e de todas as culturas e religiões ali estão representados, absortos e encantados com a “Nova Mensagem”, sem palavreado…

Finalmente o Messias prometido chegou. O cativeiro espiritual acabou.

  1. Agora o povo já pode retomar as cítaras e as liras que outrora nos salgueiros pendurou. Agora pode cantar em liberdade, os cantos do seu Senhor, da Nova Sião.

Já pode tocar seus instrumentos, cantar, dançar, se confraternizar com incontida alegria, em harmonia com todos os povos, sem excluídos.

O Messias chegou; o mundo testemunhou; a tristeza acabou e a alegria se propagou, ao som das flautas, cítaras e liras. Um novo templo se edificou na Nova Jerusalém espiritual: Uma gruta funcional, tendo a abóbada celeste estrelada, como teto do Novo Templo. Nessa imensa Catedral do Universo todos os povos se confraternizam.

Os Reis Magos foram os avalistas universais da Nova Jerusalém, prevista nas Escrituras.

Quando aprendermos as grandes lições do Presépio, estaremos preparados para entender melhor todo o Evangelho, de que ali se escreve e manifesta o grande exórdio, sem palavras.

Um Novo Espírito paira sobre o Presépio, como pairava sobre as águas do Gênesis.

Veremos então o Evangelho como uma das obras primas da humanidade. O Presépio marca um Novo Gênesis, um novo paraíso terreal. Mas em contrapartida, os semeadores de cizânia sempre lançarão forças contrárias, como tentou Herodes…

A Gruta de Belém, o Presépio, é um cenário apoteótico, eterno e imortal que jamais será desmontado. É uma alegoria imortal e eloquente. Este cenário revive na vida das pessoas que o reconhecem, em suas vidas.

II – Os Três Reis Magos

  1. Destacamos aqui a presença dos Reis Magos que vieram de longe, guiados por uma estrela, para venerar um Rei Menino, que alguma revelação e convocação interior e espiritual lhes dizia que era o Messias, o Rei dos Reis, o Mensageiro da Luz e da Vida. Disto não tinham dúvida.

Os Presentes dos Três Reis representavam as Três Grandes Fases da Vida de Cristo, segundo exposição de Antônio Vieira, o Magno.

Ouro – A Fase gozosa: Infância, Adolescência e Pregação. A vida exuberante no seu esplendor. A espiritualidade. A peregrinação. A confraternização, a convivência

Mirra – A Fase dolorosa: Paixão. A tristeza, o sofrimento e desilusões da vida, a serem superadas

Incenso – A Fase gloriosa: Ressurreição. A alegria sem jaça e eterna. A superação das adversidades. A divindade

No Evangelho, os Três Reis Magos são apresentados sem mais especificações. São pessoas especiais que vêm homenagear um Menino predestinado… da família de Davi.

É que, para o cristianismo as pessoas são todas iguais, enquanto seres humanos, sem superiores nem inferiores. Por isso não é informada a cor da pele ou a região de cada um. Isto não era pertinente.

  1. A Tradição Cristã diz-nos que os Três Reis Magos representavam os Três Continentes, então conhecidos: A Europa, a África e a Ásia.

O Africano era negro, procedente da Etiópia, de nome Baltazar. Teria sido o antepassado de Prestes João. Os outros dois eram brancos, da Europa e da Ásia.

A tradição nos revela o nome dos Três Reis:

Melchior, Gaspar e Baltazar. Seriam descendentes dos três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé.

Os três Reis ao chegarem juntos à gruta, juntos presentearam o Menino. Confirmam, para sempre, os direitos iguais de todos os povos e de todas as raças, sem discriminação. Brancos, Negros, Amarelos ou Vermelhos, no Cristianismo, todos têm cidadania plena. Rejeita a discriminação.

  1. Os Três Reis trouxeram presentes para o Rei dos Reis. Trouxeram ouro, incenso e mirra, como já observamos.

O ouro para homenagear a realeza e a imortalidade: o poder maior, o poder espiritual. Representava a vida de Cristo pelo mundo, pregando a Mensagem. Representa a Mensagem Eterna do Evangelho

A mirra representa a vida dolorosa de Cristo, seu sofrimento, paixão e morte: o sofrimento dos humanos.

O incenso significa a Ressurreição gloriosa de Cristo, o triunfo sobre o sofrimento e a morte. A volta para o Pai. A vinda do Espírito Inspirador.

Desta forma, os Reis Magos, com seus presentes, também profetizaram a vida de Cristo e a Dinâmica da Mensagem do Evangelho. A força dinâmica e transformadora da Nova Mensagem.

  1. Os Reis Magos, chegados a 6 de janeiro, acamparam nas proximidades do Presépio. Suas caravanas e seus servos cuidaram de seus camelos.

Caravanas de camelos eram comuns por aquelas terras.

Após a visita ao Menino, os Reis confabularam longamente entre si; conversaram com Maria, a Mãe do Menino e com seu Pai, José. Ficaram encantados com o espírito de sabedoria que rescendia daquele espaço, com foco no Presépio, a gruta de Belém. Teriam muito para refletir por muitas gerações. São os emissários de um Deus Menino, o Cristo da Paz.

Sentiam que um Novo Mundo ali se manifestava, naquela mensagem de paz e de desprendimento, revelando a alegria de viver, na fraternidade universal, quando todos compartilham o pão, que todos ajudam a produzir, solidariamente, como irmãos. Em seus rostos e em seu coração brilhava Nova Luz.

III – O Quarto Rei Mago – Tibiriçá

  1. Diz o Magno Orador, o P. Antônio Vieira, que faltou no Dia de Reis, no Presépio, o Rei que representava o quarto Continente, descoberto pelos Portugueses: a América, ainda desconhecida.

  1. Qual seria o presente do 4º Rei Mago, das Américas – Tibiriçá?

Eu acredito que seria uma ânfora de água pura da rocha.

A água é essencial à vida, e está disponível para todos, por toda a parte. Na hora da sede, um copo de água recupera vidas. A água, como presente, representaria a alteridade que é a essência do Mandamento Novo: a Confraternização de todos os Povos. Um copo de água, no deserto, vale mais que seu peso em ouro. O Brasil tem os maiores mananciais de água da terra. Algo precioso.

A chegada do quarto Rei Mago, completa o sentido da Universalidade, significada nos quatro pontos cardeais.

O quarto Rei Mago das Américas, o Tibiriçá, chegou ao Presépio apenas em 1500, mas com uma missão sublime: Profetizar a renovação do Mundo, a partir do Brasil. Este é um processo em curso, que não sabemos como nem quando será plenificado. Há sempre forças tentando postergá-lo. No entanto, a escalada do Bem é irreversível.

Personagens Eternos

  1. Os Reis Magos são personagens imortais, eternos. Viverão enquanto reviver, todos os dias, pelo mundo a fora, a Mensagem do Presépio de Belém, iluminado por uma estrela também eterna: a Estrela da Manhã que precede a Nova Alvorada, que já vai surgindo, retardado por forças repressoras, sempre de prontidão.

Terminada a sua Missão de homenagear o Rei dos Reis, após alguns dias de convivência. Os Reis Magos levantaram o acampamento. Com seus camelos voltaram para seus países, onde contaram a seus povos as maravilhas que viram e ouvira. Como alegoria, sua missão é contínua e perene.

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CARMEN MIRANDA

         Patrimônio da Lusofonia

Carmen Miranda, a Pequena Notável, que Portugal está revendo em grande exposição, em Lisboa, está sendo vítima de trapalhadas americanas.

Dela falamos em crônica, anterior:

Carmen Miranda no Panteão da Lusofonia (clique)

Como quase tudo que é brasileiro e português, os herdeiros dos direitos da imagem da célebre cantora e artista, e os seus amigos, não souberam divulgar o nome como merece, mantendo-a viva na alma do povo.

Herdeiros?! Artista deveria ser declarado Patrimônio Imaterial Nacional. A Nação deveria zelar por seu nome, sua imagem e sua divulgação.

Rui Castro escreveu a s melhor biografia, de Carmen Miranda, que, podia ser mais cuidada.

Assim mesmo valeu.

Agora um americano quer fazer um filme da artista. Boa ideia?! Talvez, desde que respeite a identidade da personagem.

Parece não ser o caso. A figura brasileira de Carmen Miranda, desde o título, está passando, por dançarina Cubana ou Mexicana, que fala espanhol, como diz Rui Castro.

Ao menos o roteiro do filme é uma afronta à Lusofonia. O nome previsto do filme é “Maracas” que tem pouco a ver com a artista.

Carmen Miranda, como bailarina Cubana ou Mexicana?! Nunca. Nada contra os Cubanos ou contra os Mexicanos. Apenas a cada um o que é seu. Carmen Miranda é nossa. É patrimônio da Lusofonia. É uma artista de primeira grandeza. Quem a conhece, sabe.

Infelizmente, os americanos não conhecem o Brasil e os Brasileiros.

De América Latina só conhecem seus vizinhos mexicanos e cubanos.

A Lusofonia não chegou aos EUA. Lastimavelmente.

Carmen Miranda precisa ser lembrada, com sua identidade autêntica, falando português

O cineasta pode fazer a artista a seu modo, desde que respeite o modo de ser dela mesma.

Que os herdeiros e guardiões do nome de Carmen Miranda e da sua imagem saibam exigir, do cineasta americano, respeito à história da artista e respeito à Lusofonia. Isto é essencial. Que saibam fazer reviver Carmen Miranda e já terão um grande mérito.

Se o americano quer fazer o que os empresários do ramo, no Brasil e em Portugal, não conseguem fazer: Um Grande Filme de Arte sobre Carmen Miranda, que seja bem-vindo o americano.

Mas que seja bem assessorado par anão falsear a identidade de nossa artista.

Carmen Miranda, há muitos anos, deveria estar nas telas, com todo o seu peso, valor e sedução.

É uma artista descomunal, para quem souber ver fundo, semioticamente o que ela representa em nosso espírito, em nossa alma e em nossa cultura.

Carmen Miranda é uma marca indelébel da brasilidade, naquilo que o brasileiro tem de melhor e de eterno, sem as banalidades que lhe atribuem.

Há outro projeto, no Brasil, para levar a história de Carmen Miranda às telas. Mas não prossegue. Compromissos devem ter prazos de validade…

Que façam quantos filmes quiserem, desde que sejam leais à artista, aos seus valores e à lusofonia, e tenham qualidade digna de se ver. Essa deveria ser a norma.

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FUTEBOL

E A COESÃO NACIONAL

Jorge Peralta

  1. O Jogo Acabou! Viva o Brasil

A Copa acabou, para o Brasil, hoje. Jogamos o jogo. Viva o Brasil!

A vida é assim; Um dia se perde outro dia se ganha. Ganhou o Espírito de luta! A vida continua no seu percurso normal, mas algo mudou.

Outros também precisam ter a sua vez. O sol nasceu para todos. Que vençam os melhores. A Copa é um grande paradigma da vida real; uma bela metáfora.

Mas que vençam os melhores, sem vergonhosas trapaças… e politicagens. Não queremos navegar nessas águas turvas…

A Copa do Mundo pode ser palco para novas reflexões.

No Brasil, algo acontece de extraordinário. Nos dias de Jogo do Brasil, na copa, o País, literalmente, pára.

Em São Paulo, o maior complexo urbano do Ocidente: (a Região Metropolitana da Grande São Paulo, uma área conurbanizada contínua, de 20.000.000 de habitantes), essa realidade unânime é mais notória.

Nos dias de jogo tudo pára. As ruas, avenidas e praças ficam quase desertas, com muito menos carros e gente do que nos domingos e feriados. Pára o comércio, param as indústrias, pára tudo.

São Paulo não pára de trabalhar. Só em tempo de Copa, cada quatro anos. Éh, meus amigos, para os pragmáticos eu aviso: Nem só de pão vive o homem!

É impressionante. Toda a gente está atenta ao desenrolar do jogo. Todos se alegram ou entristecem juntos. As grandes jogadas levam todos ao delírio. É uma catarse coletiva… Emocionante… É coisa bela, coisa de se ver.

A Bandeira do Brasil tremula, altiva, por toda a parte. Nos grandes prédios, como em casebres de favelas, tremula alegre e soberana a Bandeira Nacional. Há bandeiras imensas penduradas em prédios. O Brasil é um só corpo e um só espírito. Os corações batem em uníssono. A Copa do Mundo, a cada quatro anos, é o denominador comum de onde emana uma força estranha.

É alegria geral. Se ganhamos comemoramos, se perdemos… Também. Alguns ficam com cara de velório… Ninguém gosta de perder. Ninguém fica indiferente.

  1. A Copa faz Bem à Gente

Minha gente, a Copa faz bem à saúde da nação. Faz bem a toda a gente.

faz mal quando políticos oportunistas se aproveitam para colar, em si próprios, os méritos da nação, para se perpetuar no poder. Mas até isso todos relevam.

A Copa é tempo de perdão e de fraternidade, sem discriminação.

Em tempo de Copa, como nos outros tempos, no Brasil só há brasileiros: com uma única etnia (?!) e uma única cor de pele: somos todos morenos, todos miscigenados, culturalmente. No genérico moreno estamos os brancos, os negros, os morenos, os amarelos e os vermelhos: as cinco raças do mundo. Cinco sim senhor!

O milagre do Brasil, este País Tropical, é que, na alegria e na tristeza, todos se irmanam, todos são solidários, sem distinção de raça, sexo ou condição social. Somos todos iguais neste país plural e multirracial. Neste país tropical.

No entanto, aqui temos gente de todas as raças que cultivam seus valores próprios, sem prejuízo da unanimidade nacional. É a realização do princípio: Unidade na Diversidade.

Circo, Pão e Honra

BOLA, CIRCO, PÃO E HONRA

Na Lusofonia

  1. Jorge Peralta

 

  1. Ainda como reflexão sobre o Brasil na Copa do Mundo, acrescento:

Diziam os Romanos, na Antiguidade, que o povo quer “circo e pão”.

Dêmos-lhe circo e pão, mas nem só de “circo e pão” se faz um país grande e justo.

Não podemos usar o futebol e a Bolsa Família/Esmola para anestesiar todo um povo, amortizando-o, enganado, desiludido, acomodado, dependente como tetraplégico, e sem futuro. Um povo desiludido é um povo triste. Estamos chegando lá… Queremos um País livre, forte e próspero.

Além do Circo e Pão = Futebol e Bolsa Esmola, precisamos mais e melhor educação e cultura, mais trabalho para todos e caça aos corruptos,aos desonestos, aos mafiosos, às quadrilha de aloprados, assaltantes da moral, da política, da honra, da cultura e dos bens de quem trabalha de sol a sol. Esses aloprados que hoje estão refestelados em prédios oficiais recebendo benesses por cargos que não passam de trapaças.

Alguns dizem que o futebol é o ópio do povo. Eu diria: depende. No entanto, mais ópio do povo são as promessas e as trapaças de muitos de nossos políticos, com seus discursos sedutores e vazios e os discursos falaciosos de algumas “religiões” mercenárias que prometem o que não podem dar e ainda cobram por isso.

  1. Gritemos de alegria pelo bailado da bola, rolando nos gramados, em grandes jogadas. Mas não silenciemos diante de tantos e tão torpes escândalos de nossos políticos e outras gangues…

Na luta aguerrida dos gramados, precisamos aprender a reagir contra a falta de boa educação e de saúde dignas da nação, a que ela tem direito, e lutar contra os gastos indecentes, de interesses escusos, contra as falcatruas e contra os impostos escorchantes e o abuso do preço da gasolina que não deixam o país se desenvolver, na medida de suas potencialidades. É preciso dizer bem claro que quem sabe gastar bem o dinheiro é quem o ganha e não quem o recebe, sem mérito e depois o desperdiça. Impostos sim. Mas só os necessários. Que voltem ao povo em benefícios coletivos. O imposto é do povo e para o povo e não do governo. É da coletividade. O governo é apenas o gestor.

  1. Enquanto o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) não estiver equiparado ao Desenvolvimento Econômico, os dois em torno da 10ª colocação, o país vai mal. O Brasil é a 7ª ou 8ª Economia do Mundo e seu IDH está num vergonhoso e constrangedor 73º lugar. O potencial econômico do país, não está beneficiando o potencial do Desenvolvimento Econômico não se refletir no desenvolvimento humano, o Brasil com todo os seus encantos, é um país claudicante e capenga.
  1. Os princípios que aqui adotamos, valem para toda a Lusofonia, que queremos grande e forte, honrada e próspera, com um povo orgulhoso de seu país, de seu governo e com boa educação e bem-estar.

Ainda acredito que não há ninguém, no belo e promissor mundo lusófono, que não queira cooperar na limpeza de nossas políticas e de nossos políticos.

Todos queremos uma lusofonia de cara limpa e um povo honrado, trabalhador, confiante, responsável, sagaz, desenvolvido, soberano, atento e orgulhoso de seu país, com prosperidade, qualidade de vida e bem-estar social.

Mas não esqueçamos nunca:

“A garantia da Liberdade é a perene vigilância”. Os descuidados já são trapaceados. “A Justiça não protege os sonolentos”.

“Quem não é organizado é tutelado.

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SARAMAGO

Um Labutador ou um Provocador?

  1. Jorge Peralta

Defendeste a pátria? Cumpriste o teu dever.
A Pátria foi ingrata?! Fez o que costuma fazer
.”

(P. Antônio Vieira

1. Um Homem Paradoxal

O aguilhão de Saramago talvez nos faça falta. Poderemos não concordar com ele, em algumas de suas diatribes polêmicas, no entanto, não podemos negar sua coerência de homem livre. Por outro lado, ele carregou consigo um grande mérito: Suas posições políticas, como cidadão, não interferiram em sua obra: não fez literatura partidária.

Politicamente, no entanto, teve atitudes, para muitos, abomináveis. Ninguém é perfeito… Até dos seus erros podemos tirar ensinamento.

Saramago com sua vida e obra, com seus defeitos e virtudes, estará no Panteão da Lusofonia, quer queiramos quer não.

No Panteão da Lusofonia não cabem ódios nem rancores. Saramago não colocou ódios ou rancores na sua obra. O tempo o absolverá de seus erros políticos. Restará sua obra. Esta o elevará.

Acredito que está na hora de Portugal redescobrir Saramago, sem preconceitos, como um de seus filhos amados, apesar dos pesares.

  1. Saramago foi um homem e um artista que teve como seu grande mérito, o seu esforço por acordar a sociedade de certa letargia: provocou as pessoas para que refletissem, em busca da consciência do ser. A rejeição que ele teve faz parte dessa tomada de consciência…

A incredulidade que ele tanto propagava, acredito que faz parte de seu processo de provocação à sociedade para que sua fé não seja em decorrência de uma tradição formal, da inércia e de uma vontade de ser igual e de não destoar do meio em que convive.

Talvez uma afronta, subconsciente, ao “pensamento único” e “inquestionável” que move ações e atitudes, mas não move corações, convicções e sentimentos coerentes, e conscientes.

Não move o espírito.

Suas polêmicas acordaram muita gente. Ribombaram como trombetas…

Mas as pessoas não gostam de ser “perturbadas”, como os homens não gostam de ir ao médico.

Mesmo quando acusou Deus e todas as religiões, por todos os males e misérias do mundo, por todas as guerras e maledicências, provocando um grande terremoto de agressões e contestações e constrangimentos, acredito que foi mais um ato provocativo de bom resultado. Fez as pessoas pensarem e reagirem. Despertou consciências.

Acordou os que estavam sonolentos, “estagnados”, no átrio das igrejas.

Ajudou a curar a cegueira de muitos…

Até o seu último romance, “CAIM”, com todas as suas inconsistências, foi uma obra que, socialmente, deixou um saldo positivo. Provocou uma grande corrida à Bíblia, para conferir os textos originais…

  1. Sejamos Críticos, mas não Injustos

Podemos e devemos ser críticos, mas não injustos. Não podemos demonizar as pessoas.

Podemos não concordar em tudo o que Saramago agitou, mas não podemos deixar de reconhecer o valor de sua lealdade a princípios, até quando abala alguns dogmas da Igreja. Até quando venerou o “bezerro de ouro” do poder despótico e deletério de seu país, que nos causa repugnância.

Naturalmente podemos discordar de muitas de suas posições, mas não podemos deixar de dar valor à sua bela história humana.

Tanto política como literariamente, Saramago foi um homem coerente. Nunca temeu perder leitores com suas atitudes. Isto ninguém pode negar. Foi um homem de coragem. Ao contrário de muitos que o criticaram…

Saramago foi um homem simples. Um homem dedicado à sua obra.

  1. Vai-se o homem, fica a obra. Devemos perdoar-lhe (?!) alguns de seus eventuais desvios, mas não podemos de deixar de apreciar o difícil percurso, seguido por um homem humilde de nascimento, que conseguiu subir todos os degraus da fama e encantar milhões de pessoas, com mérito e qualidade. Saiu do anonimato, para se projetar na história, como um vencedor que, com sua obra literária, deixou o mundo mais belo.

Acredito que não vendeu sua alma ao diabo… Se vendeu, recuperou-a.

Já vi pessoas lendo Saramago nos lugares mais inesperados, como em praias do Brasil, em banco de praça e nos metrôs de Lisboa… etc, etc.

Foi um grande escultor da frase e um genial contador de histórias.

Diz uma grande crítica literária brasileira:

Com ele, a Língua Portuguesa readquiriu, ao mesmo tempo, a majestade de um Vieira, o humor de um Eça de Queirós e a beleza poética de Pessoa prosador” (Leyla Perrone-Moisés).

Chico Buarque fala de Saramago como “um ser humano admirável, um escritor imenso, um zelador apaixonado da Língua Portuguesa”.

Sei que estas ideias são uma reviravolta naquilo que muitos pensam em Portugal sobre Saramago.

Precisamos repensar sempre nossos conceitos, quando surgem novas luzes. Não nos fechemos à luz, como as ostras.

 

  1. Saramago no Brasil

José Saramago tinha profunda estima pelo Brasil, que muito admirava.

No Brasil tinha e tem muitos milhares, talvez milhões de admiradores. Aqui veio muitas vezes. Sentiu o coração do Brasil palpitar no ritmo e com a força do coração português. Era e é o autor mais vendido da etiqueta literatura estrangeira. Aqui falou sempre bem de Portugal.

Do Brasil dizia:

Somos gente da mesma família,

de uma mesma língua,

de uma mesma cultura que é, embora diferente, a mesma”.

Para ele, o Brasil e Portugal estavam fadados a viverem unidos.

Saramago sempre se sentiu muito bem, entre os brasileiros, que retribuíam com grande carinho. O Brasil é um novo Mundo.

No Brasil encontrou o céu em vida. Foi muito amado, aqui. Porque ele era muito bom. Mas nem todos souberam ver o que ele nos oferecia…

Em Portugal Saramago foi muito antipático. Isto é questão circunstancial; não diminui o valor de sua obra e de sua vida.

Precisamos apreciá-lo com certa objetividade, desapaixonadamente, para não sermos atropelados pela história. Saibamos que a realidade tem muitos ângulos, e não só um.

  1. Saramago vai ao Paraíso

Até Deus Pai, lá do Céu, quando Saramago chegou, foi recepcioná-lo à porta, junto com São Pedro, o homem das chaves.

Deu-lhe as boas vindas, com um grande abraço. E ele encabulado… sem dizer nada…

Tinha aqui na terra, falado muito mal de Deus e do seu Cristo! O Pai logo atalhou: filho, eu ausculto os corações… Quando falavas mal de mim, criticavas o que eu não era e não a mim. Criticavas porque amavas o que eu sou. Eu sou justo e generoso. Sou a Sabedoria.

Muito do que fizeste, às vezes por caminhos tortuosos, fez as pessoas pensarem e acertarem suas vidas. Tiraste muita gente da monotonia e da inércia.

As pessoas te criticavam mordazmente e com razão; mas fizeste-as pensar. Já te deram a pena que mereceste.

Vem comigo. Também aqui terás por missão provocar, em todos, um sorriso largo, com teu humor e teus paradoxos. Precisamos inovar sempre… Precisamos despachar mais sinais de esperança para teus irmãos, lá na terra de onde vens.

  1. O Grande Legado de Saramago

A vida e a obra de Saramago, o segundo Prêmio Nobel da Língua Portuguesa, têm algo de monumental que apela à nossa consideração.

[Nosso primeiro Prêmio Nobel foi o Médico, Dr. Egas Moniz, (1949). Um grande homem.]

Quaisquer que sejam as nossas apreciações, Saramago é um imortal, em dimensões de literatura universal.

Saramago saiu da vida e entrou na história.

Na história ele continua vivo, em outra dimensão. Ninguém conseguirá tirar-lhe o que lhe pertence. Os méritos são dele.

Seus críticos vão e ele fica.

 

Agora cabe a nós fazermos a nossa lição de casa, sem preconceitos e sem simplismos.

Compete a cada um de nós detectar onde está os melhores tesouros que nos legou.

Se soubermos olhar, apesar dos percalços, o saldo é muito positivo. Merece o nosso apreço e a nossa consideração.

A posteridade, apagados os erros de percurso, saberá lhe fazer justiça, enaltecendo a sua imagem.

Não podemos repetir o que o país tradicionalmente fez com as pessoas que mais se destacavam no seu povo. Estas, de praxe, são renegadas por seus contemporâneos. O P. Antônio Vieira, um dos maiores ou talvez o maior sábio do século XVII denunciou este costume execrável, de que ele quase foi vítima.

É de Vieira esta frase constrangedora:

Defendeste a pátria?

Cumpriste o teu dever.

A Pátria foi ingrata?!

Fez o que costuma fazer.”

Lembremo-nos de que Camões, se não fosse a dedicação de seu escravo, teria morrido de fome. E que Pessoa também foi rejeitado por muitos, no seu tempo. Vieira, se não fosse tão sagaz, teria sido queimado pela Inquisição, e foi uma das maiores inteligências da História de Portugal e do Brasil, de todos os tempos.

Aguardemos o que o futuro dirá de Saramago. Ele ainda está muito vivo. Como estará daqui a 50 anos? Se ele merecer a glória, glória terá.

Nota: As fotos de José Saramago foram adaptadas do Jornal “Folha de São Paulo”.

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O MENSAGEIRO DA MARATONA

Quem tem o que dizer não pode calar-se

– Reflexão Preliminar –

  1. Jorge Peralta

1

A VERDADE COMO CONDIÇÃO

Quando elaboramos certo trabalho é como quando plantamos árvores: Queremos que dêem sombra e frutos. Esforçamo-nos para que as pessoas tomem ciência  dos argumentos e reflexões que propomos. Mas o que propomos  não é nosso. Então compete a todos incrementar tais propostas, se forem realmente justas e  oportunas.

Certos anacronismos já foram longe demais. Fizeram estragos avassaladores…

O texto, “Abalos na Igreja, Crise na Humanidade”,  em alguns momentos, é abertamente  contundente, mas procura ser sempre muito cordato. Quer pensar junto. Expõe mas não impõe; nem claudica.

Defende princípios, defende o bem da humanidade, defende uma visão espiritualista e humanista  da vida, numa posição plural.  Defende a Igreja  do Evangelho, como algo de extraordinário, no mundo. Propõe a sua revitalização permanente.

Considera que a Mensagem do Evangelho parece que, para muitos, virou rotina. No entanto, ele deve ser lido com o mesmo deslumbramento de quem observa, pela primeira vez, o esplendor do alvorecer do sol, em manhã de Primavera.

Propõe um diálogo franco, leal e aberto.

Vivemos em tempos belicosos. Os contrastes e conflitos estão à flor da pele. Todas as grandes ideias e valores da nossa sociedade estão  na mira dos novos “comandos” ou de novas patrulhas. O que é indefensável deve ser descartado antes de desmoronar. Criticar o que é criticável é uma obrigação de quem sabe o que diz e faz.

Precisamos vencer o dogmatismo vazio de muitas autoridades. Pensar com responsabilidade e ousadia  é dever de todos. Precisamos estudar, estudar, estudar e ter a mente atenta. Denunciar ideias anacrônicas é atitude digna de gente generosa.  Negar o diálogo franco é autoritarismo anacrônico.

Criticar com lucidez é somar e multiplicar e não diminuir e dividir. O poder não exime a pessoa de errar. Criticar uma instituição, ou pessoa , não é necessariamente  desrespeitá-la. Respeitar alguém não significa  obrigar-se a uma aprovação irrestrita do que ele pensa e faz. Respeito é lealdade e verdade e não bajulação. É a verdade que constrói.

As pessoas de boa vontade não podem ter medo de ter opinião e de expressá-la. É a verdade que liberta.

Quem tem algo para dizer não pode se calar. Mas precisa ser razoável e respeitador.

O que falo aqui pode incomodar alguém. É condição natural. Não é possível agradar a gregos e a troianos. Quem a todos quer agradar, a todos desagrada, por falta de sinceridade. A pessoa  que trouxe a Mensagem mais revolucionária da história, agradou ao povo, mas desagradou a certos mandatários que foram à desforra no Palácio de Pilatos.

É sabido que a estrada da vida tem naturais tortuosidades…

2

MUDANÇA SIMPLES E ARROJADA

Na década de 60, quando trabalhei na CNBB – SP, como técnico, fui chamado pela equipe de Liturgia, dirigida, por Frei Luiz Gonzaga, um sábio franciscano, para participar da equipe de reformulação do Ritual do Matrimônio, dando-lhe uma linguagem mais atual.

Na redação final, a ser apresentada  ao episcopado, consegui que todos  concordassem, após muitos debates,  com uma mudança substancial: troca da fórmula clássica: “Até que a morte nos separe”, por:  “por toda a vida”,  uma fórmula  alegre, jovial e profunda. Fui convocado para, numa reunião do episcopado, discutir, juntamente com Frei Luiz, as alterações propostas.

Fomos sabatinados com muita seriedade.

As questões mais intensas foram sobre a mudança da fórmula  clássica e central , já citada. Defrontamo-nos com argumentos difíceis e complexos. Argumentei que “por toda a vida” é mais intenso do que “até que a morte  nos separe”. Que o amor é mais forte que a morte… Que Cristo veio trazer vida, etc, etc. O óbvio…

Ao final da sabatina, retiramo-nos, meio receosos de que a mudança não passasse… Todos achávamos a solução luminosa. Não queríamos que se perde-se. Não se perdeu.

No dia seguinte recebi, comovido, um grande abraço de Frei Luiz, cheio de alegria: “O Novo Ritual foi aprovado…”. A vida venceu a morte, pensei. A igreja está rejuvenescendo…

Hoje, em todo o Brasil, e quero crer que em todos os países de Língua Portuguesa, é com essa fórmula que se chega ao ápice da Cerimônia Religiosa do Ritual de Casamento Católico. (“Por toda a Vida”)

Alegrei-me , discretamente, e continuei  o meu trabalho com a equipe. Foi um dia de muita alegria, como, aliás, todos eram. Vi muitos momentos assim… discretamente emocionantes…

Deste fato, tão simples, em si,  eu me convenci de que, em questões

sérias, nunca devemos falar gratuitamente, sem pensar. Mas, por outro lado, ideias bem pensadas e amadurecidas, não devemos nos acanhar de as propor à sociedade e a quem de direito. “O Espírito fala onde quer”.

3

TRAJETÓRIA DE UM TRABALHO RESPONSÁVEL

Este texto, “Abalos na Igreja”,  foi um trabalho intenso de mais de dois meses. Alegro-me porque o escrevi. Acredito que estou fazendo a minha parte, prestando serviço à humanidade. A Igreja representa uma parte significativa da humanidade.

Se a Igreja melhorar sempre, o mundo ficará muito melhor.

Precisamos cuidar mais da mensagem do que dos dogmas. Dogma sem Mensagem não diz nada.

Este trabalho foi enviado na primeira versão, na 5ª Feira Santa – 01/04/2010, a diversos Departamentos da CNBB e a outras autoridades.

Recebi estímulos fortes e nenhuma “censura” nem  velada. De Lisboa, de um sábio Pe. Jesuíta, vieram-me os mais fortes apoios e estímulos. Os pastores teólogos têm mais sensibilidade. São mais atenciosos. Não são arrogantes. Mas os grandes teólogos também  podem ser bons pastores.

Prossegui o trabalho. Enviei-o, mais aperfeiçoado, a diversos Departamentos da CNBB, no início da última Assembléia Geral (4 a 13 de maio de 2010). Os Bispos são pastores e gestores. Precisam ouvir, mas podem não ouvir. Precisam de muito saber e mais sabedoria.

Sei que o trabalho que enviei exerceu alguma influência.

Diz Vieira que  o lugar privilegiado de o demônio se  refestelar é nas igrejas. Ele vai se imiscuir, disfarçado, entre os bons, para desviar-lhes o caminho…

É nas boas searas que o inimigo gosta de espalhar a cizânia.

Isto novamente me diz que a Igreja é, sim, o Povo de Deus e que “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”. Devemos falar, “oportuna e inoportunamente”.(II Timóteo 4,2).

A Mensagem não é nossa. Devemos repassá-la ao destinatário.

4

CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ESTIMULANTES

Na Igreja, como em todas as Instituições, políticas, culturais ou religiosas, há “alas” distintas com posições eventualmente conflitantes, em termos de estratégias. Há também os que querem a Instituição imutável, com receio de perder vantagens pessoais ou grupais, ou com medo do mar tempestuoso…

Assim, certas afirmações  que marcam posicionamento, são rejeitadas por uns e exaltadas por outros. A unanimidade real é difícil e nem sempre é conveniente.

Todos os posicionamentos precisam ser considerados para que a Instituição não encalhe… Nem se quebre no próximo rochedo. A Igreja viverá sempre num equilíbrio instável, como tudo o que tem vida. As convergências e as divergências sempre nos acompanham.

Quando temos algo a dizer, não temos direito de nos calarmos. Mas precisamos ter convicção e sobriedade.

Precisamos  ser cuidadosos e fiéis como Mensageiro Filípedes,  após a batalha de Maratona, na Grécia Antiga.

5

PERSPECTIVAS

É com estas ideias que convido o leitor a ler este trabalho: “Abalos na Igreja, Crise na Humanidade”.

A motivação, à partida, foi a campanha sórdida, em torno da pedofilia na Igreja. Denota fraquezas que precisam ser superadas. Vemos agora que só a verdade constrói. Não somos pescares de águas turvas.

Escrevi do ponto de vista da sociedade civil, como cidadão, com uma visão plural. É nesta perspectiva  que quero ser lido.

Dou novo enfoque à questão e proponho uma atitude corajosa e séria  de revitalização da Igreja. Ao final sintetizo as ideias em 10 (dez) propostas iniciais. Faço um apelo à sabedoria. Esta é a marca que tem de nos identificar, como pessoas pensantes, conscientes e consequentes.

O trabalho quer contribuir para a reconciliação de Igreja, com a Dinâmica social, numa sociedade plural.

Leia e comente. Somos todos responsáveis.

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FORÇAS E FRAQUEZAS DA IGREJA

Pedofilia, Um Caso Mal Ajambrado

José Jorge Peralta

I – ALEGRIA, ESPERANÇA E OUSADIA

  1. Falo neste estudo, de uma Instituição admirável e paradoxal: tem forças de gigante e fraquezas e debilidades de ovelha no pasto, vigiada por lobos. Abordo este assunto, excepcionalmente, pois este é hoje um foco secundário em minhas reflexões. Falo por apelo interior, não esperado.

Por longos 70 dias o tema tomou conta de minha mente, exigindo atenção total. Senti que  o texto adquiria dimensões de algo que vem para ficar; para marcar posição para a posteridade, num momento inspirador e instigante.

Falo, da perspectiva de um cidadão, a quem tudo o que é humano sempre interessa.

Dediquei a este ensaio a mesma atenção que se dá a um filho.

As ideias que aqui exponho são desdobramentos de um longo trabalho que redigi: “Abalos na Igreja, Crise na Humanidade”, publicado no site blogue: www.alfa8omega.blogspot.com

Falo, com respeito e ousadia, da Instituição mais antiga do Ocidente, a Igreja de Cristo. A Igreja que tem, como força matriz, a doutrina do Evangelho; uma doutrina que deslumbrou o mundo.

Cristo, na História, foi o ser humano que maior influência exerceu na humanidade, por sua doutrina de valores: a dignidade da pessoa humana, e a interação entre os humanos, com a superação dos egoísmos e da selvageria. Deu ênfase à alteridade: “amai-vos uns aos outros…” Insistiu na cooperação mútua e no altruísmo. Falou por palavras e atitudes. Foi convincente. Teve credibilidade.

Deixou uma mensagem de esperança para toda a humanidade, que já  estava  nas suas cogitações: “ide pelo mundo inteiro”. Almejou a fraternidade universal. Foi contundente: “Sede mansos…  sede astutos …” “Saiam (…) vocês fizeram do Templo um covil de ladrões…”

Falo de uma Instituição que, em nosso País, tem uma história de belezas extraordinárias. Um paradigma mundial na construção da sociedade. É uma instituição viva, audaciosa e dinâmica. Está presente e atuante no mundo inteiro. É uma Instituição muito bela, amável e generosa. Mas tem alguns senões, algumas falhas ou imperfeições que precisam ser corrigidas. São  falhas humanas.

Falo de uma Igreja que, através de sua história, prestou serviços de tal monta à humanidade que bem pode ser considerada o patrimônio imaterial maior de toda  a Civilização Ocidental.

Ela difundiu no mundo  a lei do amor, a solidariedade, a fraternidade, o respeito mútuo, a dignidade humana e a espiritualidade. Alegria e esperança é a sua bandeira, na tempestade e na bonança.

Para ser mais eficiente e consistente a sua ação, precisa contar com um corpo de consultores humanistas independentes do mundo inteiro, de todos os ramos da ciência e das artes, que exerçam o poder da crítica leal e consistente. Alguém que observe, do lado do povo, de fora da sacristia. Que mostre o outro lado da vida. Esta é uma regra sadia implantada nas grandes instituições, na atualidade, para não ficarem para trás. A vida do Cristão, com seus embates, é vivenciada na sociedade civil e não apenas nos templos.

Alguns paradigmas precisam ser revistos, com o passar do tempo, para se adequarem  às mudanças da sociedade.

2. Mas a mesma Igreja, em contradição com os princípios do Evangelho,  por fraqueza de alguns de seus representantes, também foi responsável por crimes bárbaros e execráveis, como as tristes tragédias da Inquisição e outras mais… “Abismo atrai abismo”

São os vícios humanos se aproveitando de uma Instituição de alta credibilidade, traindo seus princípios fundamentais. Consideraram-se seus donos e não seus serviçais. Daí o escândalo, os estragos e as dissensões.

Falo aqui, de uma igreja sempre em crise de mudanças, como toda a natureza viva e  como tudo que é humano, tem momentos de Primavera e momentos de Inverno.

Os Cristãos Católicos, como todos os demais devem estar  atentos à verdade. Saber ouvir críticas leais e razoáveis é dever de toda  a autoridade. A verdade, às vezes, dói. Não podemos evitá-la. Poder sem verdade é autoritarismo.

Na Terra, a igreja não é composta por anjos, mas de seres humanos, com as fragilidades que lhe são próprias.

Quando, por algum equívoco, quiseram considerá-la feita, perfeita e imutável, aumentaram suas crises, seus paradoxos e suas dissensões. A Igreja vive, naturalmente e sofre as agruras do seu mundo, porque é solidária com ele.

Diante de grandes embates, consegue manter-se de pé. É muito mais forte que seus “algozes”. Mas a Igreja não existe para vencer ninguém. Existe para convencer  as consciências e para  fazer irmãos. A força  da Igreja  é  a  Palavra e o Testemunho; é a coragem, a determinação e a firmeza; a vida e a luz que propaga.

A Igreja, como toda a natureza viva, vive seu percurso: um movimento de mudanças permanentes, adaptada aos ciclos vitais do universo. O transitório muda e o essencial permanece.

Os acomodados querem que o transitório seja permanente. Daí as falhas.

Confiar é preciso, mas participar, como sujeito, é essencial.  No Cristianismo as pessoas são sujeitos e não objetos. A consciência cidadã é essencial ao cristão. “Confia e não perguntes”, não é atitude cristã; é repressão.

Vivemos tempos sucessivos e contínuos de Primavera, Verão, Outono e Inverno. Tempos de Natal e Epifania; Morte e Ressurreição; de Pentecostes e Difusão; de Consolidação, Fraquezas e Perseguições. Num mesmo tempo podem  ser vividas as quatros estações, pelos quatro cantos do mundo. Esta é a condição da vida entre os humanos.

No nosso mundo há  elementos permanentes, elementos mutáveis e elementos transitórios, alguns precários. Há sempre em todas as instituições, tendência a fazer perenes os elementos transitórios e até  os precários, ao sabor de interesses circunstanciais.

O poder é tentador; seduz as pessoas fracas e inseguras.

Na igreja não é diferente. Todos precisamos tirar a máscara, para  nos vermos no espelho como somos, e assim nos apresentarmos. Precisamos reencontrar o amor incondicional, dentro de nós. É lá que ele está.

Sinto a Igreja como um espaço de liberdade. Nunca como um espaço de opressão. Nunca como um espaço de obscuridade.

3. Quero, aqui, realçar as forças dinâmicas da Igreja, que na sua matriz perene, sustenta-se na mutação, na diversidade e na adversidade.

A Igreja nunca será uma instituição acabada. Ela se faz a cada dia. Sofre a cada dia as dores da vida. É uma Igreja composta e gerenciada por humanos e não por anjos. Precisamos reconhecer e aceitar esta condição.

Sofre as muitas fraquezas de muitos dos seus filhos, dos mais simples aos mais altos da hierarquia.

Pessoas da alta hierarquia da Igreja, aliás, de todas as igrejas, cometeram crimes cruéis, vexatórios e até hediondos, através da história. Mais importante do que chorar tanta indignidade é aprender a lição. Até porque há um outro lado: Pessoas da mesma Igreja, aos milhões, fizeram,  por toda a parte, ações admiráveis, beneméritas…É praxe histórica, os “donos” do poder tentarem  subjugar os “súditos”. Na Igreja, via de regra, é diferente.

Não é novidade que houve negatividades, no Cristianismo. Isso é narrado em prosa e verso, muitas vezes  de modo tendencioso e persecutório, por milhares de livros, etc, etc. Mas o que é mais grave é que muitos não aprenderam a fazer a lição de casa…

Numa sociedade doente, o vírus pode ferir todo e qualquer humano.

É natural que assim seja, como é natural que sempre rejeite o mal e opte pelo bem. Questão de opção… Questão de consciência…

Ninguém pode se espantar se um ou outro  eclesiástico  cometer algum deslize. É natural, numa instituição de humanos, numa sociedade doente.

Padres, Bispos, Cardeais e até o Papa, podem errar. É bom que assim reconheçam. Faz parte da condição humana. Mas a Igreja jamais poderá compactuar com o erro. Deve pois detestá-lo e  corrigir os culpados. A impunidade é a mãe de todos os vícios, diz-se.

A alegria e a esperança sempre brilham no rosto da Igreja, nas mais desencontradas ou auspiciosas circunstâncias. Esta é a Igreja do Evangelho.

Na Igreja, temos outros cinco macaquinhos que nos convidam a ver, ouvir, falar, pensar e agir.

Esta é a  minha Igreja: tão humana que é divina e tão divina que é humana.

Isto me fez lembrar um belo poema de Fernando Pessoa: “O Meu Menino Jesus” (para ouvir, clique)

II – PEDOFILIA, CONSPIRAÇÕES E RENOVAÇÕES

  1. Por tudo isto, é muito estranho o escândalo que se levantou, contra a Igreja,  porque foram  detectados casos de pedofilia, entre uns poucos padres da Igreja. Não foi levado em conta que a Igreja  vive a crise  e as dores e horrores de nosso mundo  desconcertado e às vezes  desconcertante.

A Igreja é vítima e não culpada, nos casos de pedofilia que vitimou alguns de seus pastores.

Não é a Igreja que está em crise, no caso da insólita  pedofilia. Quem está em crise  é o mundo onde está a Igreja. A crise não está vegetando na igreja. Está vegetando no mundo  e por tabela, atingindo também alguns, muito poucos, membros frágeis da hierarquia da Igreja, em meia dúzia de países.  Uma parte mínima do clero… Mas um só caso já merece toque de alarme e tomada de decisões preventivas.

Num mundo onde se registram mais de quinhentos (500) casos de queixas de agressões pedófilas, por dia, os casos que atingiram a Igreja são, estatisticamente de valor nulo. Nem por isso a Igreja pode deixar de corrigi-los e puni-los.

A pedofilia é hoje uma praga social, atingindo centenas de  meninos e meninas, diariamente, por todo o mundo.

Em alguns países árabes, a prática é socialmente aceita, havendo “casamento” de adultos com meninas de 4 a 10 anos (?!).

Moralmente a sociedade, nos últimos 50 anos, foi atingida por “doenças” anômalas.

Corrijam-se os casos ocorridos na Igreja, mas sabendo que a Igreja é vítima de uma sociedade que vai perdendo princípios norteadores e se desgovernando. A sociedade, hoje,  já pede socorro, por tantos desmandos…

  1. Mais grave ainda do que os casos eventuais de pedofilia, é o tratamento que a imprensa “sensacionalista” deu ao caso, agredindo escandalosamente a Igreja Católica, com insultos e injúrias, numa atitude persecutória  e discriminatória, que alguns classificaram como conspiração.

A notícia dos casos raros de pedofilia, na Igreja, foi trombeteada pelos quatro cantos do mundo, 24 horas por dia, em milhões de meios de comunicação. Uma verdadeira campanha de desacreditação: claramente uma conspiração muito bem articulada, em alguns centros de elaboração e seleção de notícias e de orquestração de pauta.

Certamente abalou a credibilidade da Igreja  em milhões de ouvintes. Quase uma chacina moral…

Não menos grave foi o tratamento  inábil que a Hierarquia Superior da Igreja deu aos fatos. Deixou-se acuar, por falta de visão de conjunto, contaminada por ideologias políticas espúrias, que não respeitam a presença da Igreja na Civilização e aproveitaram o ensejo para  tentar desmoralizá-la.

Não é a primeira vez que a vítima é julgada culpada.

  1. No entanto, eu considero que mais importante do que as ocorrências da deplorável pedofilia, é que a Igreja aproveite o momento de “crise”, que a Providência lhe oferece, para repensar sua mensagem, suas estratégias e sua atuação, no nosso mundo atual, sem máscara  e sem retoque.

Nunca o mundo precisou tanto da Igreja, do Evangelho, como em nossos dias.

No trabalho citado no início do texto, enviado aos diversos  departamentos da CNBB, no dia 06.05.2010, faço umas dez propostas formais de revitalização da Igreja. Confira. Posicione-se.

A Igreja precisa aproveitar o grande abalo que acaba de receber, para rever sua estratégia  de Evangelização. Terá muita, muita coisa, para reconsiderar. A Providência convoca. Dizer não é deserção… “Por uma omissão perde-se uma nação”, diz o Grande Vieira.

A Igreja não pode se perder em questiúnculas. Precisa ir ao essencial: Mudar o que deve ser mudado… Já.

Convido a todos  a rezar, com S. Francisco de Assis, em texto adaptado:

Senhor, dai-me perspicácia

para distinguir o essencial, do circunstancial,

e o eterno,  do provisório.

Dai-me força para mudar

O que pode ser mudado…

Resignação para aceitar

O que não pode ser mudado…

E sabedoria para distinguir

Uma coisa da outra”.

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Aveiro

Vista aérea – Universidade de Aveiro e Seminário

 

Frase de Placa

Sê Rei de Ti Próprio

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SUPERAÇÃO DAS BELDADES

Superando o Hedonismo

  1. Jorge Peralta

“Mens sana in corpore sano”

  1. Há belezuras que os humanos são capazes de apreciar.

Eventualmente, assisti a um programa de TV, onde a personagem principal não era uma beldade. Era simplesmente uma pessoa comum; um retrato sem retoque, uma vida sem maquiagem.

O programa era sobre a cantora, Susan Boyle, uma mulher simples, de vida simples e com uma voz ainda meio selvagem, por não ter sido polida. Mas rica; com imenso potencial.

Sim. É que as vozes e o caráter das pessoas também podem ser polidos, como os escultores fazem com às estátuas.

É assim que o bom escultor é capaz de fazer, de uma tora de madeira tosca, ou de uma pedra, de um pedaço de rochedo bruto, uma estátua de anjo, de um grande herói da humanidade, de um grande pintor, de um grande escultor de um autor de obras imortais, que deixou mais alegre e mais humano o coração das pessoas.

É bem conhecida a história do patinho feio, desprezado e que enfim após seu desenvolvimento normal, viu-se que era um cisne real,.

  1. Susan Boyle provou, com sua vontade decidida e com seus talentos, que da natureza recebeu, que não precisa ser uma beldade física, para vencer na arte e produzir o encanto e o entretenimento das pessoas.

Efetivamente, a beleza e a arte e a competência das pessoas vem  mais de seus talentos e de sua vontade decidida e persistente do que dos dotes físicos.

Nada contra as beldades; mas está escrito: beleza física só, já não basta. É preciso ter algo mais  para ser gente consciente.

  1. Lembrei-me de que os meios de comunicação são fábricas de ilusões. Cuida-se mais das aparências do que das essências. Mais do ter do que do ser.

É preciso fazer uma coisa sem  se descuidar da outra.

A pessoa pode ter grandes qualidades, em potencial, mas se não  for uma beldade escultural!…

Ah! as aparências!…

Esse vício discriminatório vai se espalhando por todas as sociedades, de todos os países, pelo mundo afora, como um modismo, como o politicamente correto: “se você não for o mais belo, a mais bela, está fora de moda, está por fora, à margem…” E as pessoas acreditam…

Fabricam-se então moldes de seres aparentes, (fabricados) (?!), talvez, precários em identidade. Ninguém quer ser ou parecer diferente. Todos procuram os modelos da moda, para serem iguais. Quem manda? O marketing.

O hedonismo vai se alastrando, como novo produto do consumismo exacerbado.

No entanto, é preciso fazer uma coisa sem se descuidar da outra. É preciso cuidar do físico e da mente… É o que se dizia algum tempo atrás:

Mens sana in corpore sano”- Mente sadia, num corpo sadio.

O hedonismo leva ao desequilíbrio humano das pessoas.  O ter não pode se opor ao ser. Precisam conviver.

Entretanto, a essência da individualidade e da liberdade está na diferença, está na identidade e não na uniformidade.

Mas, cuidado. Para uma Sociedade equilibrada,  não basta ter caráter. É preciso também parecer…: o ser, o ter e o parecer, juntos.

  1. O Pequeno Príncipe tinha razão:

O essencial é invisível aos olhos

Uma pessoa, com precários dotes físicos,  pode ser, a partir do seu interior, de uma beleza e de um encanto admirável. Se todos só gostassem do  verde, o que seria do amarelo?!

Assim vão sendo superados alguns dogmas do neoliberalismo, onde muitos consideram que a beleza física, o hedonismo, resolve todos os problemas. Alguns ainda pensam que o TER supre qualquer carência do SER

É o que diz o ditado:

Vale mais a Tarimba do que o diploma de Coimbra

Por isso saúdo  o talento e a vontade decidida de Susan Boyle.

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A PÁSCOA CHEGOU! ALELUIA ! ALELUIA!

  1. Jorge Peralta

  1. A vida humana é sempre uma caixinha de surpresas, ou às vezes até uma Ânfora de Pandora. Alegrias e tristezas, apreensão e exaltação, o bem e o mal, certezas e dúvidas, esperanças e angústias, amigos e inimigos, prosperidade e carências, são alguns dos paradoxos com que nos deparamos, pela vida afora. Sem dúvida, “viver é lutar”.

O texto anterior: “A Cruz Quebrada”, coloca-nos, frente a frente, com esta realidade da vida.

Insistimos um pouco na interpretação simbólica da cruz, como paradigma da vida dos humanos, numa perspectiva semiótica.

Certos fatos e celebrações bíblicas podem ser analisados como alegorias, que retratam a vida das pessoas.

Vê-se por aí que as pessoas não estão  perdidas, num espaço incógnito. Têm um rumo.

Os paradoxos podem ser interpretada ainda por outros modelos  de análise.

Por isso terminamos o texto, com a citação do grande poeta: GONÇALVES DIAS, no poema “Canção do Tamoio”:

“Não chores meu filho,

Não chores,

Que a vida é luta renhida

Viver é lutar.”

Faço a presente análise, a partir de perspectivas espiritualistas e humanistas, para além de crenças e de religiões, revelando a dimensão universalista da filosofia da vida cristã.

  1. Passou a 6ª Feira da Paixão e sucedeu-lhe o Domingo de Aleluia (ou Sábado de Aleluia?!).

            Sofrimentos e dor, perturbação e superação, alegria e exaltação são a sequência contínua de estados de alma que nos acompanham por toda a vida.

Do Domingo de Ramos ao Domingo de Aleluia, temos um paradigma completo da vida.

Aprendemos que a rosa, a mais bela das flores, tem fortes espinhos que, de quando em quando, nos ferem.

Sabemos que não há rosas sem espinhos…

Se quisermos colher as rosas, teremos de suportar alguns espinhos.

Aleluia! Aleluia!

Alegrai-vos e Rejubilai.

  1. No Domingo de Aleluia – A Páscoa da Ressurreição,

A luz do sol voltou a brilhar.

As  flores voltaram a desabrochar.

O dia sucedeu à noite e a noite ao dia.

A luz repeliu as trevas,

A vida veio nos reanimar.

As pombas já vão pelo ar a esvoaçar…

A brisa suave voltou a nos acariciar.

Os lobos  voltaram a rondar suas presas.

A justiça e a esperança querem reassumir o seu lugar…

Enfim, a alegria sucedeu à tristeza…

  1. Aleluia! Aleluia!

O que estava morto ressuscitou.

O que era débil fortaleceu-se.

Os fortes que resistiram à morte

voltaram à vida e já levantam a bandeira da paz!

A bandeira da fraternidade universal.

Os crentes de todas as crenças ou descrenças já entoam o Cântico das Criaturas,

o hino da confraternização total.

Aprendemos então que:

A vida é combate/ que os fracos abate,

que os fortes , os bravos/ só pode exaltar”.

O Domingo de Aleluia é o que todos almejamos,

se não nos acovardamos na hora do combate.

Aleluia! Rejubilai-vos!

  1. Vamos Cantar!

A alegria e a esperança recuperaram o seu lugar!

Vamos festejar!

Vamos pular como cabritos no pasto!

Vamos sorrir e cantar!

Rejubilai-vos!

  1. Aleluia de Handel

Para encerrar esta reflexão

Deixo-vos o Aleluia” de Handel (clique), como uma das composições mais belas, majestosas e rejubilantes, que neste dia se ouve por toda a parte. É uma parte da oratória “O MESSIAS”.

O Aleluia é uma das composições mais cantadas pelo mundo afora, durante todos os dias do ano, em horas de grande exaltação interior.

  1. Este oratório revela uma das mais vigorosas inspirações musicais de todos os tempos.

A música, a letra e o sentido da data bíblica correspondeu-se plenamente, para chamar a nossa atenção para a realidade magnífica do triunfo do homem sobre a morte: o triunfo da vida e da liberdade.

O Nihilismo, a aniquilação desfizeram-se em pó.

Handel parece chegar ao âmago grandioso da passagem do Cristo na Terra,  indicando caminhos, desmascarando trapaceiros, espargindo  vida, vencendo a morte.

O Aleluia de Handel é, por si só, uma mensagem vigorosa, que fala fundo,  em nosso espírito e em nosso subconsciente.

É um hino à felicidade e à alegria compartilhada. É um hino à esperança e à elevação humana,  traçando o sentido da vida.

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BACALHAU COM HISTÓRIA

Patrimônio Nacional e Mundial

Aveiro é, ou foi, a terra do bacalhau

  1. Jorge Peralta

I – BACALHAU

Deliciosa Marca da Lusofonia

  1. O Bacalhau na História

Devemos aos portugueses a entronização do bacalhau como um dos pratos mais saborosos da gastronomia ocidental.

O bacalhau é considerado, pelos lusos, o “príncipe das mares” e o “fiel amigo”.

Os portugueses desempenharam, por força do destino e por missão histórica, alguns papéis únicos e de personagem principal, no teatro do mundo, na história universal.

A eles se deve a Grande Epopéia dos Descobrimentos Marítimos, que fizeram a unificação do globo terrestre. Descobriram dois terços (2/3) do território global.

E aqui acrescentamos o Bacalhau, à grande contribuição dos portugueses à humanidade.

Os portugueses deram ao bacalhau o destaque que desfruta na gastronomia dos povos. Onde foram, levaram consigo o bacalhau, como um manjar sadio e de primeira qualidade.

Além disto, o bacalhau, seco e salgado, conserva-se por muito tempo, sem se deteriorar.

O bacalhau foi então apelidado de “fiel amigo”, pois garantia alimentação sadia, nas demoradas viagens marítimas, que duravam meses. O nome carinhoso de “Fiel Amigo” vem do fato de estar sempre presente, por toda a parte, e nunca faltar, por não se deteriorar.

  1. A Pesca do Bacalhau-Escola Náutica

Há algo que nos intriga positivamente: O Bacalhau vem das águas geladas polares, longe de Portugal. Ir pescá-lo é outra grande aventura, muito penosa. Isto vai ter um “sub”-produto admirável: virou escola de marinheiros.

  1. Pedro I de Portugal, (1303) deu início a pesca de Bacalhau, em terras longínquas.

O Rei D. Dinis (1279-1325) também apoiou a pesca do Bacalhau, em terras longínquas e frias. A mão de obra da pesca, em águas longínquas e frias, exigiu preparação adequada: a pesca de bacalhau foi uma eficiente escola de náutica para a formação de marinheiros.

Estes, mais tarde, no reinado de D. Afonso V, (1438-1481), iriam dar o impulso decisivo à era dos descobrimentos, sob comando do Infante D. Henrique.

  1. Era dos Descobrimentos e o Bacalhau, o “príncipe das mares”, foram dois parceiros inseparáveis. Sem o bacalhau, isto é, sem os equipamentos engendrados para a pesca do bacalhau, em mares longínquos, região dos Povos do Norte, a Epopéia dos Descobrimentos dificilmente teria tido o alcance que teve, por falta de gente preparada.

A frota dos Corte-Real, que descobriu a Terra Nova, (Canadá), antes de 1424. Estava procurando bacalhau e o encontrou aí, em quantidade. Terra Nova foi chamada Terra Nova do Bacalhau. Até ao século XX os portugueses iam pescar bacalhau na Terra Nova.

  1. Padroado dos Descobrimentos

Foi uma ação de tal monta que o Papa Eugênio IV atribuiu o Padroado dos Descobrimentos a Portugal, em exclusivo. O Papa Nicolau V, por bula de 08.01.1454, concede aos monarcas portugueses as conquistas da África e das Ilhas dos Mares.

A Espanha entra então na disputa por espaço e consegue nova divisão do mundo das descobertas, com o Tratado de Tordesilhas, com o apoio do Papa espanhol, Alexandre VI.

Enfim, na rota do Bacalhau e em outras rotas, os portugueses deram ao mundo Novos Mundos.

II – BACALHAU, PRESENTE DOS DEUSES

  1. Por todas as terras onde se instalaram, levaram junto o “fiel amigo”, o nobre bacalhau.

Foi assim, que o bacalhau passou a fazer parte da culinária de todos os povos da civilização lusófona.

Hoje, que o bacalhau se tornou alimento caro, ele é usado como prato nobre e especial e nas grandes festas e reuniões familiares, em dias festivos, principalmente em datas familiares como o Natal, Páscoa, Dia dos Pais e Dia das Mães, Dias de Aniversário, etc.

Em muitas famílias, as sextas-feiras do ano são dia de pratos de peixe, onde o Bacalhau tem lugar especial.

  1. Os portugueses tornaram-se os maiores consumidores de Bacalhau do mundo. Ir a Portugal e não comer bacalhau é como ir a Lisboa e não ver a Torre de Belém.

Entre as grandes e variadas tradições da culinária portuguesa, o Bacalhau ocupa lugar privilegiado.

O Bacalhau é um presente dos deuses: Uma iguaria muito especial.

Efetivamente, o bacalhau é uma comida muita rica em substâncias alimentícias e não é gordurosa.

  1. O hábito de comer bacalhau, no Brasil, é muito antigo, desde o início da colonização. A partir da vinda da Corte Portuguesa, para o país, difundiu-se mais ainda o uso deste peixe especial.

O bacalhau está plenamente integrado à culinária brasileira. Em quase todo o país, os melhores restaurantes, sempre oferecem pratos de bacalhau.

Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, etc., têm diversas casas especializadas em Bacalhau.

No Rio de Janeiro, no final do século XIX, Machado de Assis, reunia-se todas as sextas-feiras, com os amigos para comer o autêntico “Bacalhau do Porto” e discutir o momento nacional.

Os Bolinhos de Bacalhau são um petisco especial, de preferência nacional, em bares e restaurantes.

Aqui, como em Portugal, o Bacalhau é preferência Nacional.

O Bacalhau foi uma das obras primas do “gênio português”. Enriqueceu a gastronomia portuguesa e mundial.

  1. Na grande proeza do bacalhau, Aveiro foi o motor e o centro irradiador desta atividade. Daí se espalhou pelo mundo.

A tempo de D. Afonso V, Aveiro centralizava a pesca do Bacalhau, nos Mares do Norte (Noruega) e depois na Terra Nova e na Groenlândia.

Aveiro produzia sal de qualidade, em suas salinas e ainda oferecia o bom vinho da Bairrada.

III- TRANSTORNOS À PESCA DO BACALHAU

  1. Felipe II de Espanha trouxe a primeira dificuldade, quase intransponível à continuidade da pesca do bacalhau.

Uma atividade em tão alto processo de desenvolvimento, sofreu um grande impacto negativo na frustrada guerra que Felipe II da Espanha contra a Inglaterra. Como Reino de Portugal estava unido à Espanha, Felipe II convocou toda a marítima portuguesa para compor a Armada Invencível. Navios de Guerra, naus de pesca e navios mercantes, todos se dirigiram ao Canal da Mancha para atacar Londres e conquistar o país.

  1. Por um acidente da natureza fora do combinado, uma grande tempestade no Canal da Mancha, já em frente a Londres, afundou quase toda a imensa esquadra de guerra (29.06.1588). Foi ao fundo a Invencível Armada. Os navios, o grande poderio naval português aí afundaram com seus homens. Afundaram junto com a esquadra da Espanha, num dos maiores desastres da história. A tempestade foi um acaso desastroso.

O nosso Grande Vieira, olhando ao longe, diria:

Quem me disse a mim, ou a vós se debaixo deste acaso se ocultava algum Grande Conselho da Divina Providência?”

No desastre, desapareceram os homens e os navios.

Sem barcos e sem homens experientes a pesca do bacalhau foi suspensa até cerca de 1835. Definhou a frota pesqueira. A apatia da pesca não se reanimou nem pelas facilidades dadas pelos ingleses na Terra Nova.

  1. Recuperação da Pesca

Em 1930, o lugre “Santa Mafalda” da Empresa de Pesca de Aveiro EPA, zarpa rumo a Groenlândia.

A pesca bacalhoeira retoma seu vigor na Terra Nova.

Hoje, o desmantelamento da frota bacalhoeira é um fato.

A história é um desastre para a nossa pesca.

  1. A pesca do bacalhau foi descontinuada (?!), com a “Revolução dos Cravos”, e os acordos da União Européia, como ocorreu com muitos outros centros de alta produtividade que eram o orgulho do país. Esta descontinuidade diz-se ter sido obra deplorável de entreguistas apátridas. Sem dúvida, o empresariado português passou maus momentos naquele momento…

A pesca de Bacalhau termina, melancolicamente, nas negociatas das “novas” políticas…

Hoje, quase todo o Bacalhau consumido em Portugal, ou pelo país distribuído, é importado. Mas continua como um prato símbolo da Lusofonia, independente de quem o pesca.

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Dia Internacional da Água

ÁGUA É VIDA

O Ouro Azul do Brasil, do Séc. XXI

Mensagem do Dia Internacional da Água.

A água é o elemento essencial ao desenvolvimento, defesa e preservação da vida.

É a água que mantém  o equilíbrio dos organismos vivos.

Segundo dizem os entendidos, a vida terrena nasceu na água.

Com falta de água, as pessoas ficam desequilibradas, física e psicologicamente; ficam irritadas, intratáveis, irritantes. Logicamente não é só o problema da água, mas sem água no organismo tudo se torna mais difícil.

Por isso é recomendado que  cada pessoa beba alguns copos de água por dia, toda a vida.

Estas ideias me vêm à mente em Homenagem ao Dia Internacional da Água.

Em nível pessoal, em nível regional e em nível internacional, a água deve ser uma das grandes preocupações de nosso tempo. De todos, em todo o mundo. Até porque a água está ligada  e vinculada  a todos os projetos de desenvolvimento sustentável, onde sustentável,  por vezes, não passa de uma palavra  para encobrir  atitudes predatórias

Numa sociedade onde o lucro é o valor maior, questões vitais vão sendo descartadas, com prejuízos irreparáveis para a humanidade. Lucro sem qualidade de vida não vale a pena.

O Brasil é a parte do planeta, favorecida com o maior volume de ÁGUA. Até nisto o Brasil é um país abençoado.

Este é o outro ouro do Brasil: o ouro azul.

Pero Vaz de Caminha, em 1500, já vislumbrou aqui o grande paraíso  da ABUNDÂNCIA:

Nesta terra, em se plantando, nela tudo dá”.

Mas não nos iludamos. Se esbanjar vai faltar.

O nosso maior volume de água está na Bacia Amazônica. É algo fantástico .

O Brasil tem mais (8) grandes bacias  de água doce. Destacamos  mais cinco  (5).

Bacia do Rio São Francisco, a Bacia do Rio Paraná, Bacia do Parnaíba, Bacia do Paraguai, Bacia do Rio Uruguai. Estas bacias se subdividem em inúmeras outras bacias, que irrigam, de modo desigual, todo o território nacional.

O Brasil é detentor do maior  depósito de águas subterrâneas do mundo: o Aquífero Guarani. Um verdadeiro oceano subterrâneo.

Nos rios e córregos está o perigo de poluição de toda essa imensa riqueza vital, de nosso ouro azul.

A civilização moderna é ecologicamente inconseqüente: Produz excesso de lixo e ainda recicla pouco.

O país precisa preservar a água  dos rios  e córregos, onde, muitas vezes, por falta  de saneamento básico, são lançados  os esgotos  domésticos  e os detritos  industriais. Tal atitude pode ter consequências trágicas para as próximas gerações. A poluição das águas poderá levar a grandes tragédias.

Os córregos  e riachos conduzem a água  poluída para os rios, que a leva para os lagos e para o mar, numa cadeia perversa.

Temos grandes desafios a enfrentar e a vencer.

No Dia Internacional das Águas deve soar um alerta contundente:

PRESERVE A NOSSA ÁGUA

ÁGUA: SE DESPERDIÇAR VAI FALTAR

PRESERVAR ÁGUA É PRESERVAR A VIDA.

Esta mensagem deveria soar ao ouvido de todos, todos os dias do ano. Precisamos de uma grande campanha nos meios de comunicação, para que amensagem chegue a todos os lares, passando por todas as escolas. Precisamos educar o mundo para a preservação da Água.

Nunca esqueçamos: Água é Vida!

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Homenagem Especial

Ao Prof. Darcy Corazza

O Prof. Darcy Corazza tem o nome vinculado a inúmeras realizações, que marcaram época, na PUC de São Paulo – nos áureos tempos da JUC, e como psicólogo, em sua clínica, e ainda como professor universitário e como homem dedicado às grandes causas da humanidade e às causas da gente simples.

Ao lado de sua esposa, Profa.  Maria Genésia Ávila, que Deus  tenha, formava uma dupla cheia de entusiasmo, cheia de vida para viver e para repartir.

Era um casal cheio de graça, cheio de Deus, cheio de generosidade.

Compartilharam o pão de seu carinho e de sua palavra sábia, por onde atuaram.

Deus chamou a sua querida Ávila, para cuidar dos jardins e das luzes do céu e dirigir o coral dos anjos.

Ela gostava de dizer:

Oh! Quam bonum est et quam jucundum habitare fratres in unum” – Como é bom e agradável o encontro fraterno dos irmãos.

O Prof. Corazza continuou a tocar a vida e com coragem, disposição e persistência que todos conhecemos e admiramos.

É um homem iluminado, abençoado por Deus, uma  alma ousada e incansável.

Corazza faz o que ama e ama o que faz. O entusiasmo vem-lhe da alma.

Com sua ação competente e persistente contribui efetivamente para o alvorecer, cada dia, de um mundo melhor.

Sofreu revezes, como todos sofrem, mas superou as dificuldades, com galhardia. “É no crisol que se purifica o ouro”. As dificuldades  acrescem seus méritos.

Neste ano, com seus inúmeros  amigos, comemora o seuoctogésimo aniversário, com grande alegria.

Corazza, aluno da primeira turma, é o primeiro Ibateano que chega aos 80 anos. Oitenta anos bem vividos  e que frutificaram cem por um.

Ad multos annos viva!”

Darcy Corazza e Ávila foram amigos, muito queridos, de minha família. Foram padrinhos do nosso primeiro filho, Daniel. Lembro o fato porque todos  os anos, no dia 25 de Abril, há 34 anos, o compadre Prof. Darcy Corazza, infalivelmente, liga para a nossa casa, para cumprimentar o seu afilhado pelo seu aniversário. O seu telefonema deixa o dia mais ensolarado, por estas bandas. Enquanto a querida e saudosa Ávila enchia o ambiente, com seu sorriso generoso e contagiante, comemorávamos o aniversário “in unum”.

Por esses laços fraternais e ad perpetuam rei memoriam, com muita alegria, publico aqui uma foto do dia do batizado do Daniel, no Jardim da igreja. Na foto o Prof. Darcy Corazza, a Profa. Maria Genésia Ávila, a Inez, com o filho Daniel e este cronista.

Peço licença ao amigo Joel H. Barbieri para transcrever sua bela quadra:

Que o Senhor lá das alturas,

Sobre o Corazza e seus planos

Esparja multiventuras

Nestes seus oitenta anos

(Publicada no Echus do Ibate, nº 106)

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AVENTUREIRO DOS SERTÕES

 NO SÉCULO XXI

  1. Dias atrás fui ao lançamento de um livro – “Cavalo Encilhado não Passa duas Vezes”. O lançamento foi na sede do Consulado Portuguêsem São Paulo. Umespaço convidativo e acolhedor: uma Casa Portuguesa. Evento muito prestigiado.

Autor do livro: Antônio Bacelar Carrelhas.

Conteúdo do livro: aventuras vividas pelo autor, pelos sertões da África e do Brasil, e ainda por outros países da América do sul.

  1. Antônio Carrelhas é um sertanista nato, um andarilho por  índole e por convicção.

É um viajante e um aventureiro, que vê a natureza, com a simplicidade, o encanto e a ternura de quem acaba de nascer, abre os olhos e vê essas maravilhosas telas tridimensionais, ainda intactas e livres da fúria destruidora do homem, na era neoliberal que tudo devora.

A sua mais intensa fascinação está nas matas brasileiras, por onde viajou a convite do grande sertanista  do século XX, Orlando Vilas Boas, em viagem ao Xingu.

  1. O seu maior sonho foi descobrir o Brasil profundodos sertões, que visitou maravilhado. Andou por Tocantins, Bahia, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Sul. Andou pela Patagônia, pela Cordilheira dos Andes, pelo Caminho Inca, etc…

Mas a sua mais demorada incursão foi ao Amazonas.

Fez a viagem de Pedro Teixeira, o grande Bandeirante português, do século XVII, no Norte do Brasil.

Subiu o rio Amazonas, da Foz, em Belém do Pará, a Iquitos, no Equador, acompanhando um navio de entregas de encomendas, rio acima.

Essas são as aventuras narradas no livro em apreço. Grandes aventuras.

  1. Fiquei admirado da disposição desse homem, para se embrenhar em aventuras, à procura de outro mundo real, que quer ver e admirar com os próprios olhos, e que  parece estar a anos luz de distância do homem as cidades, motivo pelo qual muitos nem sonham da existência desse novo mundo misterioso dos Sertões Brasileiros.
  1. Antonio Carrelha ainda sente correr em suas veias, o sangue heróico, aventureiro e venturoso dos homens que “deram  novos mundos ao mundo”

“E se mais mundos houvera, lá chegara”, como diz Camões.

São homens da estirpe de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, bandeirantes de nossa navegação aérea, Antônio Carrelhas e outros que ainda preservam os desafios de aventuras prazerosas, e quase sempre também penosas.

J.Peralta

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Antônio Carrelhas é quase um dos últimos bandeirantes. Torcemos para que haja outros, seguindo-lhe o exemplo de coragem e abnegação.

Recentemente  tive notícias de dois jovens que subiram de barco até o Alto Purus, na Bolívia, seguindo as pegadas de outro bandeirante moderno, Euclides da Cunha.

A recomendação do andarilho dos nossos sertões:

“Se você tiver oportunidade de fazer uma viagem, ou algo que está entre seus sonhos. Faça-o. Deixe tudo e vá”.

“O cavalo encilhado não passa duas vezes”.

Não deixe as boas oportunidades escaparem por entre seus dedos indecisos. Decida-se.

O Espírito de aventura faz parte do sangue que corre nas veias de portugueses e brasileiros. Não deixe que se percam nossos sonhos.

Bem haja, Antônio Carrelhas, pelo estimulo e reavivamento do espírito de aventura que você ajudou a renovar, na mente das novas gerações.

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A DIMENSÃO HUMANA 
DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A concepção de desenvolvimento sustentável tem suas raízes fixadas na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo (Suécia), em junho de 1972.

Esses dois vocábulos ainda não tinham formado a parceria que hoje se tornou sobejamente conhecida de todos nós. Isso porque o principal objeto das discussões ocorridas nesse evento estava centrado na defesa do meio ambiente humano, no bojo de um problema global mais amplo: os ditames do modelo de desenvolvimento econômico dos países do Primeiro Mundo. Estes, num determinado estágio da sua industrialização, viram-se na perspectiva da escassez dos recursos naturais, surpreendendo-se diante das limitações do meio ambiente no que dizia respeito à destinação final dos rejeitos – sólidos, líquidos e gasosos – tanto do processo industrial quanto dos hábitos de consumo da população

Tal ênfase na defesa do meio ambiente humano, perante a questão ambiental do modelo de desenvolvimento de cunho predatório, foi resultado de um despertar da consciência ecológica em nível global, que buscou ir além das questões de âmbito local ou regional as quais, nas décadas de 1950 e de 1960, já incomodavam as agências estatais de controle ambiental das nações industrializadas e incrementavam as atividades dos movimentos ambientalistas.

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O CAÇADOR DE LIVROS

ou o Bibliófilo

  1. Jorge Peralta

Neste texto queremos homenagear todas as milhares de pessoas que, pelo mundo a fora, dedicam parte significativa de suas vidas à preservação e divulgação dos livros e da boa leitura.

Saudamos  o grande BIBLIÓFILO José Mindlin, há pouco falecido, (1914-2010), por sua imensa dedicação aos LIVROS, como repertório de saber e força propulsora da Civilização. Quem ama os livros ama a humanidade, ama o presente, o passado e o futuro; ama a vida.

Mindlin tinha consciência de que era sua missão organizar um acervo de livros  de alto valor que pudessem ser úteis  às gerações futuras.

Assim, ele dizia que nunca se considerou  dono de sua biblioteca, mas que era apenas o seu guardião.

Uma Biblioteca de qualidade é um arsenal de saber.

Mindlin doou a sua Biblioteca à Universidade de São Paulo, que lhe dedicou um prédio especial, na Cidade Universitária.

Assim, José Mindlin entra num clube restrito de bibliotecas particulares que, por sua dimensão e qualidade, tomaram parte de grandes Bibliotecas Nacionais ou de Bibliotecas Universitárias do Brasil.

– A Biblioteca Nacional do Brasil, sediada no Rio de Janeiro, teve origem na grande Biblioteca  da Corte dos Reis de Portugal, sediada em Lisboa.

Quando D. João VI transferiu a  Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, trouxe também a Biblioteca do Reino, que era, no tempo, uma das poucas Grandes Bibliotecas da Europa; alguns dizem que  era a maior.

– O nosso grande historiador, Manoel de Oliveira Lima (1867-1928), possuía uma riquíssima biblioteca especializada em História  de Portugal e do Brasil e do Império Português na Ásia e da África. Oliveira Lima doou sua Biblioteca à Universidade Católica das Américas, sediada  em Washington (1916). Hoje tem 50.000 livros.

– Há no Brasil muitos outros  grandes bibliófilos. Mas hoje a Biblioteca de Mindlin é destaque, por passar a integrar o Acervo da USP, disponibilizada ao público estudioso.

Mindlin soube construir sua casa sob rochedos. Sua Biblioteca servirá às gerações  atuais e futuras.

De tudo o que Mindlin fez na vida, sua Biblioteca, doada à USP, é certamente a mais destacada obra de sua vida. Honra lhe seja feita.

Em nome da humanidade, só podemos dizer: Bem haja! Muito obrigado!

A seguir publico um poema adequado à celebração do gesto deste homem:

Livro Amigo (Clique)

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JOÃO GRANDINO RODAS

REITOR DA USP

O novo reitor da Universidade de São Paulo, USP, o maior centro de produção  científica  do Brasil e da América do Sul, tomou posse do cargo no dia 25.01.2010.

O Prof.  Dr. Rodas prometeu  cumprir o seu mandato de quatro anos, de portas abertas para todos, instaurando o diálogo construtivo. Prometeu algo que não se  vê mais  nos gestores públicos, ou se vê  raramente: servir a Universidade e não servir-se da Universidade:

Non ministrari sed ministrare

Prometeu atuar e se relacionar com os seus comandados, não como superior, mas como igual: “primus inter pares

Rodas é um homem de princípio, um homem de caráter, um homem coerente.

Um homem comprometido com  o bem-comum, um homem solidário.

Na USP, como em todas as instâncias do poder,  degladiam-se  forças antagônicas e interesses conflitantes. Cabe ao reitor, como aos diretores de unidades, harmonizar os conflitos, a bem da nação. Nem sempre é fácil, quando os interesses  são partidários.

O Prof. Dr. Rodas conhece muito bem o mundo plural e multipolar em que vive.

Ele saberá conviver com as posições antagônicas, ainda que, muitas vezes irreconciliáveis. O diálogo, bem conduzido, firme e suave, respeitoso e generoso, abre caminhos… Os romanos diziam  que o educador  deve agir “suaviter et fortiter”.

O Prof. Rodas  foi aluno do Ibaté (1960/61)

Foi meu colega de turma no curso de Filosofia dos Jesuítas (1970).

Antes da posse, convidou os ex-colegas de Ibaté,  para uma confraternização litúrgica, numa sala de reuniões da Congregação da Faculdade de Direito, do Largo S.; Francisco, onde era Diretor.

A tomada de posse do novo reitor, aconteceu, festivamente, na majestosa Sala São Paulo, a mais nobre sala de espetáculos musicais  da cidade.

A cerimônia foi abrilhantada pela Orquestra  Filarmônica da USP.

O Prof. Rodas reservou 60 convites para os ex-colegas do Ibaté, apesar  de serem disputadíssimos os convites  para tão solene  e importante cerimônia.

O Prof.  Grandino Rodas é mais um fruto saboroso  e uma semente  que saiu dos Seminários  do Brasil e foram ou  são e ainda serão grandes baluartes do saber, de competência e de ações, que mudam os destinos  do país , nos rumos  de um mundo melhor, com mais  prosperidade, sabedoria e bem-estar para todos.

Prof. Dr. João Grandino Rodas, saudamo-lo efusivamente e desejar-lhe uma gestão dinâmica e positiva, que faça a Universidade de São Paulo, um pólo de saber ainda mais apto a atender às necessidades científicas, tecnológicas e humanísticas do Estado de São Paulo e do Brasil.

A nossa USP ainda é, de fato, uma das Instituições universitárias  que honram o Brasil e o Mundo.

Gostaríamos que, ao final de sua gestão, em 1914, nos convidasse novamente, para uma Celebração de Confraternização, por sua gestão a frente de tão alta e nobre instituição.

São Paulo, Fevereiro/2010

Prof. Dr. José Jorge Peralta

(Professor aposentado da USP)

Diretor do Instituto Edubraz e

do Instituto Tropical do Pensamento Contemporâneo.

Nota: para compor esta crônica, servimo-nos de reportagens da imprensa e consulta na crônica dos colegas Alfredo Barbieri e Tomaz de Aquino Toledo, publicada no Jornal “ECHUS do Ibaté” nº 106.

A Fotografia foi captada no Google e é de autoria de Ernani Coimbra.

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VIDAS DEDICADAS

Aposentado não é Descartado

  1. Jorge Peralta

“Se um dia tiveres que escolher

entre o mundo e o amor,

lembra-te: se escolheres o mundo,

ficarás sem o amor;

mas se escolheres o amor,

com ele poderás conquistar o mundo”

(Albert Einstein)

As pessoas nasceram para ter uma vida sadia, prazerosa e benfazeja. Nenhuma  pessoa nasceu para ser  ilha solitária.

Nascemos para viver, conviver e compartilhar nossas competências e nosso saber. Durante toda a nossa vida, o dia  terá 24 horas. Devermos saber administrá-las, uma por uma, com discernimento, racional e equilibradamente, de acordo com as circunstâncias.

Em princípio devemos tirar, de cada hora e de cada minuto, o máximo de produtividade, com o máximo de satisfação  e prazer.

Devemos fazer de cada dia uma sequência de momentos prazerosos, seja qual for nossa atividade.

No trabalho, no entretenimento, no convívio familiar e social e no descanso, somos sempre a mesma pessoa. São situações intercomplementares.

Sempre nossa vida deve estar voltada ao bem-comum.

Nosso bem-estar e nossa saúde e boa disposição é de interesse social.

Não vivemos só para nós. Nosso trabalho deve contribuir para o bem social  e para o progresso da nação e da humanidade. Quando alguém se eleva, eleva o mundo.

Somos pessoas livres e devemos saber  o que se espera de nós.

O trabalho, o entretenimento e a convivência com os outros são os pilares de nossa saúde física, psíquica e emocional.

Sem ocupação do físico, da mente  e do psiquismo, nossa vida entra em depreciação, perde auto-estima e a energia de viver.

Ser é ser como outro.

A marca da pessoa consciente é o auto-conhecimento: a identidade que tem como contrapartida a  alteridade, o próximo, o outro.

identidade e a alteridade são duas faces da mesma moeda.

Por isso nascemos para servir e não para sermos servidos. Até porque, se todos servirem, todos serão servidos,  na dinâmica da alteridade, que é a essência do cristianismo e do humanismo.

Vêm-me estas ideias, neste momento, ao refletir sobre uma praxe que vai se difundindo: A mudança de paradigma da aposentadoria.

Os aposentados, até recentemente, só pensavam na rede, onde passariam descansando, o resto da vida. A rede era o sonho; a rede, água de coco, e uma sombra para usufruir o “doce” não fazer nada e morrer de tédio.

Este conceito de vida, na inércia, na indolência, no ócio total é passado.

Até porque todos sabem que tal filosofia  de vida inútil, causa a ruína das forças vitais , físicas e mentais e leva à morte.

Quando deixamos de ser úteis, nos descartamos. Apeamos da vida. Penduramos a chuteira.

Hoje o aposentado não pára de trabalhar; às vezes por necessidade, outras vezes por altruísmo.

Na vida adquirimos conhecimentos  que não temos o direito de fechar no baú do esquecimento.

A pessoa pode ser muito útil dos 08 aos 88 anos; ou até aos 108, pois não temos direito de por limites à nossa vitalidade.

Devemos então pôr nosso saber e nossa sabedoria a serviço da comunidade.

Para nos mantermos lúcidos, saudáveis e produtivos, devemos nos dedicar a alguma causa altruísta. Vemos, hoje, em muitas organizações sociais, pessoas da terceira idade, fazendo serviço voluntário. Outros vão estudar para adquirirem novas competências.

Depois de aposentados, temos mais tempo para compartilhar socialmente os grandes valores que a vida nos ensinou ou que na vida testamos. Os avós dedicam-se aos netos. Muito bem. Mas podem fazer muito mais.

Mudamos de trabalho, mas não aposentamos o trabalho. Somos trabalhadores vitalícios

Aposentado não é aleijado.

Aposenta-se o idoso. Mas ser idoso não é ser velho; é só ser idoso. Idoso é questão de anos de vida. Velhice é questão psicológica.

Convidamos todos os aposentados a se disponibilizarem para espalhar pelo mundo alguma ideias e experiências que já estão escasseando na nossa sociedade. Ajudem a fazer melhor a vida em nossa sociedade, o país e o mundo. Arregace as mangas e vá, à luta. Você pode. Você deve. Mas você é livre para optar.

Ajudar alimentar este site pode ser uma boa obra social.

Este texto sugere-lhe algumas ideias?

Então mãos à obra. Diga algo.

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ANTÔNIO VIEIRA,
UM GRANDE MESTRE A DESCOBRIR
APRESENTAÇÃO

……Nos quatro (04) estudos que integram este trabalho, quisemos dar uma introdução programática à obra de Vieira. Propomos os parâmetros que seguiremos ao longo dos trabalhos em comemoração do 4º Centenário.
……Focalizamos nossas pesquisas no realce da sabedoria de Vieira e do grande legado que deixou à posteridade.
……Abordamos Vieira como um cidadão consciente, atuante e participante da vida na Cidade dos Humanos: um cidadão de seu país e um cidadão do mundo.
……Enfim apresentamos um Vieira que pode trazer muitas luzes a todos que o buscam. A todos será muito útil: professores, escritores, advogados, artistas, arquitetos, etc, etc.
……A leitura de Vieira faz bem a toda a gente de qualquer ideologia, de qualquer profissão e de qualquer religião, ou até sem religião. Faz bem a gente de todas as idades e culturas.
……Faz bem a todos quantos buscam contribuir para a construção de uma civilização mais séria e alegre, mais solidária e altruísta, mais generosa e cooperativa, com mais justiça, paz e harmonia. Uma civilização que leva ao bem-estar e à prosperidade com qualidade de vida.
……Vieira foi, fundamentalmente, um evangelizador. Todos sabemos que mais de 80% do Evangelho,( como de todas as religiões baseadas em princípios filosóficos), são princípios humanísticos, que buscam a justiça e o bem-estar das pessoas. Basta olhar os Dez Mandamentos: é pura doutrina social. Oito Mandamentos são sociais e dois articulam os oito (8). O Evangelho é também doutrina social. Evangelizar humanizar: é fazer os humanos cidadãos conscientes e solidários; é ensinar-lhes os grandes princípios de convivência; é cuidar de seu bem estar.
……A Cidade dos Humanos é a porta para a Cidade de Deus.
……Aí situamos o grande Vieira: um homem que propôs mudanças para extirpar os vícios de perspectiva que causam os grandes males da sociedade. Um reformador social. Evangelizar e humanizar: é fazer os cidadãos conscientes e solidários; é ensinar-lhes os grandes princípios de convivência; é cuidar de seu bem-estar.
……Foi perseguido e caluniado por seu atrevimento de querer mudar vícios enraizados na sociedade, há séculos (herança do paganismo?). As pessoas reagem a mudanças que possam exigir alguns sacrifícios, embora sejam para o bem de todos. O egoísmo e comodismo são forças difíceis de enfrentar. Para muitos o Evangelho é letra morta…só para constar…
……Não queremos canonizar, nem descanonizar Vieira. Queremos que se faça justiça. Queremos que todos possam usufruir de suas lições.
……Vieira enfocava seus princípios em valores mais profundos que articulam a vida das pessoas, ancorados na religião. Vieira fala “com os olhos na terra, com os olhos no céu e com os olhos no Evangelho”, segundo ele mesmo declarou.

Nessa perspectiva é que iniciamos nossos trabalhos com o estudo “Vieira, Um Grande Mestre a Descobrir”
Para Ler Artigos sobre Vieira (clique)
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O GRANDE DESPERTAR 
DA LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO
Como Língua Internacional
J.Jorge  Peralta
1. O Século XXI é o século da competitividade, em todos os campos, desde o comercial e industrial, até o mundo do saber, entrando pelo mundo muito específico das Línguas Naturais.
É que as pessoas, hoje, além da língua materna, precisam dominar uma segunda língua, para poderem garantir o  seu espaço, no mundo globalizado, no mundo do trabalho e no acesso à cultura.
Por outro lado, os países descobriram que  Língua é Poder, é um patrimônio que pode fazer a riqueza da nação. Isto dá origem a mais progresso, com mais disputas e  mais emulação dos que têm auto-estima.
Nós temos um grande  produto para oferecer ao Mundo: a versátil e sonora Língua Portuguesa, da qual Miguel de Cervantes declarou enfático: “é a língua mais sonora que existe no mundo”
Com 260 milhões de  falantes, a Língua Portuguesa é hoje a terceira maior  potência do Ocidente.
2. Há mais de quatro décadas, os americanos e os ingleses perceberam  o valor econômico da difusão de sua língua pelo mundo, para veicular seus produtos e negócios .
Investiram alto e espalharam escolas por toda a parte, por todos os países, de modo especial, nos países latinos. Foi a senha para vender toda a espécie de produtos, inclusive e talvez principalmente, produtos culturais: livros, filmes, discos, etc, etc.
O inglês e a cultura americana entraram pelo então 3º mundo, como uma avalanche.
Abriram um imenso mercado de trabalho nas escolas, nas universidades, no mundo.
3. Há pouco mais de duas décadas foi a vez dos espanhóis despertarem para esse mercado, promissor.
Todos sabem que dominar uma segunda língua, agrega valores, para a pessoa e para o país titular dessa segunda língua,  que se expande, expandindo negócios.
4. Finalmente chegou a vez de a Língua Portuguesa assumir seu status natural de Língua Internacional. Aliás a Língua Portuguesa foi a primeira  que desempenhou, com galhardia, a função de Língua Internacional, no século XVI, prolongando-se até  o século XVIII,  em ascensão. Ainda hoje mantém esse status, mas um tanto enfraquecido, sem expansões, em novos territórios. Após o início da Guerra Colonial, entraram em depressão todos os países lusófonos.
No “25 de Abril”, manteve-se a depressão.
Os problemas políticos, aliados a muita infâmia, foram os grandes algozes da Língua e da Cultura de Língua Portuguesa.
Ensaiam-se agora seus grandes voos internacionais, a partir  principalmente do Brasil e  de Portugal, com Angola e Moçambique por perto. Logo vêm Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné e Timor Leste.
5. Hoje a situação já é outra, bem mais promissora. Grandes expectativas vão se abrindo. Por todo o globo, (Índia, Japão, China, etc, etc), começam a ser implantados e a ser muito procurados cursos de Língua Portuguesa,  embora, ainda, com precário apoio oficial..
Há uma grande carência de professores de Português.
Grandes “mercados” estão se abrindo, nos países lusófonos, no Brasil, em Angola, em Moçambique, etc, etc.
O Brasil e Portugal, juntos, precisam traçar a grande Política do Idioma, para ser implantada imediatamente. Não podemos perder mais  uma vez o trem da história, ou o cavalo que passa arreado.
6. A Língua Portuguesa, embora com muito atraso, está em vésperas de se tornar língua oficial da ONU.
Na União Africana, a Língua Portuguesa já é utilizada regularmente. O que falta muitas vezes são tradutores. O IILP já providencia a formação de tradutores.
7. O inglês já é a principal segunda língua do mundo. Mas muitos não  mais se contentam com uma só segunda língua e buscam outras, como o português. São muitos. Não podemos frustá-los.
A localização geográfica dos  países de Língua Portuguesa, em todos os continentes, é uma grande vantagem: um grande triunfo.
Na busca da segunda língua de comunicação internacional, a Língua Portuguesa desponta como objeto de desejo  para milhões de pessoas,  pela sua versatilidade e por sua beleza arquitetônica, sonora e expressiva.
Só no Senegal, há 15 mil pessoas aprendendo a Língua Portuguesa.
Não podemos pensar na difusão  da Língua Portuguesa apenas da perspectiva humanistica ou afetiva. Temos de pensá-la como força de intercâmbio cultural e de comunicação e como língua de negócios que é o que mais move o nosso tempo.
8. O motivo da busca do português é também econômico. Neste sentido “o português está a tornar-se “uma  mais-valia economica”, diz o Secretário Executivo da CPLP,  Domingos Simões Pereira.
Diz ele que a Língua Portuguesa  hoje “não é só uma questão de nostalgia, de afeto”. Traz  “ganhos econômicos efetivos”.
E acrescenta:  é importante a Língua Portuguesa, na Lusofonia, pois “valemos muito mais,  quando falamos a uma só voz”. (Diário de Notícias fev. 2010).
9. Esta é, pois, a hora e a vez de a Língua Portuguesa se assumir efetivamente, como língua de intercâmbio entre todas as nações, em nível cultural e econômico. Os mercados dos povos de Língua Portuguesa vão assumindo seu papel, no mundo globalizado; vão se destacando  e vão despertando o interesse do mundo inteiro.
É muito interessante o presidente do Brasil falar sempre em português. É assim que deve ser.
10. O Brasil é um caso típico. O mundo olha o Brasil, como uma das mais promissoras economias do mundo. Vê aí um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de terras boas e produtivas, e 195 milhões de habitantes. O Brasil tem uma economia pujante  e promissora. É um mercado fantástico, em grande expansão.
Com muitas carências, é verdade, mas também com muitas riquezas. Pode  superara as carências,  com  uma educação melhor e com menos corrupção.
 Tudo isso agrega grandes valores à Língua Portuguesa.
Mais importante é o Brasil, um país continente,  ser um país de uma só língua, de Norte a Sul e de Leste a Oeste do país.
Malgrado esta situação otimista e promissora, as nossas Agências  e Empresas especializadas ainda não despertaram para este mercado, para valer. Faltam Conselheiros e faltam Consultores na área.
11. Acabo de visitar o SALÃO DO ESTUDANTE, que se realiza anualmente em São Paulo.
Nesse Salão se oferecem cursos de língua estrangeira e cultura. Lá estavam, com destaque, empresas (escolas) do Canadá, Estados Unidos,  Inglaterra  e Espanha. Havia empresas também do Japão, da China, da Irlanda.
Esperava encontrar lá o Instituto Camões, o Instituto Machado de Assis, e até a CPLP, para dizer aos estudantes o que em Portugal e no Brasil  se faz para ensinar o Português, como segunda língua, pelo mundo afora. ( O Instituto Cervantes estava lá).
Portugal e o Brasil precisam divulgar sua consciência da importância da Língua Portuguesa, no mundo globalizado. É uma grande marca, um grande marco e uma grande Bandeira…
12. Sugerimos que o Instituto Camões participe ativamente  desses Encontros, de alta afluência  de visitantes, para ir despertando a sociedade para o papel da Língua Portuguesa no mundo, e para a vocação internacional de nossa língua, também como língua de negócios, além de língua de cultura.
  Não podemos deixar de conhecer e de exaltar a Língua Portuguesa, como versátil instrumento de intercâmbio e coesão social.
Nota: Texto patrocinado pelo Instituto Globilíngua
São Paulo, 07 de março de 2010
Prof. Dr. José Jorge Peralta
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A MULHER E O HOMEM

A Dupla que Resolve

  1. Jorge Peralta
  1. O Dia Internacional da Mulher é uma bela data a ser celebrada; como o é o Dia das Mães e até o Dia de Natal.

Como não existe o Dia Internacional do Homem, eu começo a considerar que está data tem muito de uma celebração pouco humana e muito capitalista. Celebramos, neste dia, as mulheres bonitas, prendadas, esbeltas, estudadas “bem sucedidas”. Esquecemos os milhões de mulheres que dão duro estafante, dia após dia, para garantir um teto e um cômodo às vezes miserável, para dar aos seus filhos um mínimo de alimentação, de saúde e de educação. No seu dia a dia, tudo é precário e incerto. Só não falha sua vontade invencível de conseguir, para os seus, o melhor, por pior que seja… Quem delas se lembra, no mundo dos humanos?!

A celebração do Dia da Mulher não atinge hoje, ao menos no Brasil, nem 20% das mulheres.

Faltam aí 80% das mulheres, esquecidas e anônimas, que não têm menos dignidade…

É, pois, uma data desnecessária, ao menos aparente.

Lembrâmo-nos de quem já é lembrado e celebrado todos os dias. Até porque, em nossa sociedade, mulher bem formada, bonita, esbelta e “bem sucedida”, já é bem celebrada, naturalmente, todos os dias, ás vezes até a exaustão.

A nova celebração anual, às vezes, não passa de um ritual vazio, meramente formal, como obrigação e não como carinho.

  1. Na perda dos valores grandiosos da pessoa humana, até as celebrações são mecanizadas e monetarizadas.

Penso então que o Dia da Mulher deveria, em nosso tempo, ser o “Dia da Mulher e do Homem”.

Assim juntos, como é a condição humana. Somos teoricamente 50% de homens e 50% de mulheres. 50%, certo?!

Esta é a condição humana, que não podemos confundir.

Hoje não sei quem está mais deslocado de uma vida “normal”, se o homem ou a mulher.

Nas sociedades tradicionais, dos países lusófonos, excetuando, talvez os grandes centros urbanos, homens e mulheres trabalharam sempre, lado a lado, cada um com a mesma responsabilidade, cada um com a sua identidade.

Com a ascensão da mulher ao estudo, ao mundo do conhecimento, em vez de ser produzido o equilíbrio H/M, produziu-se um novo desequilíbrio.

Muitos homens, atendendo a apelos, seduções e até futilidades exteriores do mundo capitalista, vão sofregamente atrás do ter e das aparência transitórias, descartando o ser e seus valores imateriais mais profundos e perenes. São mais dispersivos.

As mulheres, de modo geral, levam a “vida” mais a sério: no estudo geralmente, destacam-se muito acima dos homens; levam a vida mais a sério e são mais dedicadas, persistentes e responsáveis. São mais focadas.

Muitos homens estão “perdidos”, nesta sociedade complexa, e vão sendo, socialmente “descartáveis”. Condição muito incômoda e frustrante. Quem pensa nisso?!

  1. Por isso eu apelo:

Vamos tentar um novo equilíbrio Homem/Mulher. Vamos, finalmente, equilibrar a condição humana, onde homens e mulheres, como as mulheres e os homens, sintam-se, juntos, responsáveis pela construção de um mundo mais saudável, mais equilibrado, mais justo, com mais dignidade e paz. Assim era nas gerações passadas, e ainda é assim nas sociedades mais simples.

Há muito mais gente, além do mundo urbano, que atrai atenção dos intelectuais.

O mundo dos humanos é constituído equilibradamente de homens e mulheres. Vamos celebrá-lo assim, sem inventar novos desequilíbrios. Homens e Mulheres, respeitados em sua dignidade plena, diferentes um do outro, mas intercomplementares. Ambos precisam ser educados para a dignidade e respeito mútuo, competência, fraternidade, dedicação, responsabilidade e generosidade.

Na educação familiar, escolar e na vida, cada ser humano deve ser educado para saber ser ele mesmo e pensar no outro:

– Aprender a ser, a conviver e a compartilhar.

– Aprender o espírito de mútua cooperação.

– Aprender a nunca desperdiçar os próprios talentos, mas pô-los a serviço dos seus e da humanidade, com competência e generosidade.

Quando homens e mulheres forem efetivamente conscientes de sua missão múltipla e multiforme na vida e na sociedade, seremos então capazes de pôr a dignidade no Poder. Teremos então descoberto o caminho e as pontes que nos levam a um mundo melhor, com mais alegria e bem-estar para todos.

(08.03.2010)

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LIVRO AMIGO

  1. PRESENÇA DO LIVRO

O livro pode acompanhar as pessoas

sempre,

em qualquer situação

e em qualquer tempo e lugar

para sua mente ajudar,

ou apenas distrair

em lazer cultural.

O bom livro é um companheiro

paciente e sempre atentos,

sempre serviçal.

Entre os humanos,

de qualquer povo ou nação,

o livro estabelece sólida aliança

para além do tempo e do espaço,

com desembaraço e descontração.

Está sempre em prontidão.

Para o livro ninguém  é estrangeiro,

a não ser quem não conhece a língua que fala!

O livro não conhece territoriais fronteiras,

nem admite discriminação ideológica ou social.

Poder genial!

Só as fronteiras lingüísticas

podem de alguém afastá-lo.

O livro, como veículo de comunicação,

entretenimento e cultura,

se é fruto de amor, dedicação e ternura,

de todos merece o máximo respeito

e adequada admiração.

O livro abre

os mais amplos caminhos

na cidade como no sertão.

Diante do livro

todos são irmãos

em universal confraternização,

sem discriminação de povo,

ideologia, sexo ou religião.

Então vamos seguir

o que o poeta nos propõe:

“Semeia livros

livros às mancheias

e faz o povo pensar”.

O povo que pensa

tem mais clara consciência:

pode construir o próprio bem-estar.

13.5.95

  1. AMIGO ATENTO

O livro é a máxima conquista

da humana civilização.

É um amigo perene

sempre presente

sempre atento, dócil e paciente.

Respeita o psiquismo da gente.

Só  quando o folheamos, fala.

Se o fechamos, cala.

O livro pode ser fonte de luz

para de nossas vidas o caminho iluminar.

Mas também pode ser bela ânfora

de veneno mortal.

Aos jovens inexperientes, confiantes,

pode perturbar e abalar.

Ao leitor cabe optar,

e se posicionar.

O livro nunca se cansa, nem se irrita,

por mais que você o requisite,

ou que a sua leitura repita.

Em cima do banco ou da cadeira,

da mesa, da cama ou no tapete,

ou em nossa mão,

sempre calmo,

ele nos olha e não reclama,

e até nos adverte.

Em silêncio nos chama:

vem, lê minhas páginas!

Parece que tem alma.

13.5.95

  1. LIVRO – AMIGO FRATERNAL

Sempre atento, sempre disponível,

o livro vale mais que ouro ou prata:

é um amigo fiel e serviçal.

É uma luz, um farol

que novos caminhos

à nossa vida vem mostrar.

É um pai que nos leva pela mão

em diálogo franco, coloquial.

Livro, grande amigo,

amigo e companheiro,

em qualquer tempo, em qualquer lugar

sem discriminação de sexo ou raça,

etnia, credo ou ideologia!

Livro: Amigo fraternal!

O livro é o testemunho da história,

da humana grandeza e de sua miséria!…

Ilumina a humana mente

integrando o passado, o futuro e o presente,

num hoje sempre atual,

sempre atento, sempre pontual,

pela vida inteira.

O livro é um manancial

de vida e luz

que o humano caminho quer iluminar.

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Argonautas do Brasil

Comunicado aos Amigos Navegantes

e a todos os amigos de Portugal e do Brasil

 

Fazendo a travessia do Atlântico, como quem faz uma ponte entre Cubatão e Aveiro, Brasil-Portugal, partiu no dia 08 de Outubro de 2011 o Veleiro Triunfo II.

É a viagem dos sonhos do Professor João Jorge Peralta, que veio de Aveiro (Vagos), em 1956, embarcando em Lisboa pelo Navio Santa Maria.

Neste ano comemorou 55 anos de Brasil.

Após muitas e frequentes viagens à terra natal, João quis fazer uma aventura rara: Voltar ao seu País num Veleiro de sua propriedade.

Vai acompanhado de amigos, companheiros de jornada.

Neste momento estão no mar, na Costa do Brasil, rumo a Salvador.

Neste espaço, o Professor João irá fazer o seu Diário de Bordo, seu Diário de Viagem, em terra e mar.

Aqui lhe desejamos boa viagem, bons encontros e bom retorno….

Para comemorar a partida e todas as partidas e todas as chegadas aí vai a Marcha, “Estrelas e Listras para Sempre”, (The Stars and Stripes Forever). João Felipe Sousa (John Philip Sousa) éo compositor desta magnífica marcha e o mais célebre compositor de marchas do mundo. Americano, filho de pai Português – Açoreano. Esta marcha, “Estrelas e Listras” foi tocada no Navio Santa Maria quando João passou a Linha do Equador, na primeira viagem para o Brasil. Esta é uma homenagem ao Professor João e uma cara lembrança. Fica na coluna ao lado para que a toque em momentos adequados…

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GUARAPIRANGA,

CELEIRO DE VELEJADORES

José JPeralta

A Represa de Guarapiranga, em Interlagos, Zona Sul  da cidade de São Paulo, foi o celeiro de grandes navegadores  e de grandes  campeões de vela, em nível nacional e campeões do mundo.

Foi na Represa de Guarapiranga que João Jorge Peralta desenvolveu a arte de velejar.

Interlagos, com sua represa, é um magnífico cartão postal de São Paulo.

O bairro foi planejado por um grande Arquiteto e Urbanista Suíço, Alfredo Agache. Agache renovou o espaço urbano brasileiro, no Rio de Janeiro e em São Paulo, na década de 30 e 40 do século XX.

Trouxe  a ideia de grande e largas avenidas e ruas e lotes amplos, com muito verde e muitas praças. Assim é Interlagos. Traçou também os magníficos bairros da Zona Oeste, os Jardins: jardim Europa, jardim América, etc.

Agache sugeriu o nome Interlagos, porque a Região lhe lembrava as belas paisagens suíças de Interlac. Interlagos também está entre dois lagos: a Represa Bilings e a Represa Guarapiranga.

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Cubatão-Aveiro – Razões e Emoções de uma Aventura

CUBATÃO – AVEIRO

A Bordo de um Veleiro

RAZÕES E EMOÇÕES  DE UMA AVENTURA

A viagem Cubatão-Aveiro foi recheada com outro roteiro histórico-cultural: a Rota de Martim Soares Moreno, de que João falará oportunamente. A base do projeto está no Roteiro.

Cabe-nos dizer algumas palavras sobre o roteiro básico.

João tem a maior parte de sua vida, nos 55 anos, de Brasil, ligados à Cubatão, uma belíssima cidade do litoral paulista, no sopé das escarpas da Serra do mar, com 700 metros de altura.

Aí chegou, com a mãe e os irmãos, vindo de Portugal, em 1956. Aí se estabeleceram seus pais e sua família. O Pai viera em 1951.

Em Cubatão, a família teve e tem um grande destaque econômico e cultura.

Foi tal a influência exercida pela Família Peralta,  que a Prefeitura de Cubatão pôs o nome de  Joaquim Jorge Peralta, Patriarca da Família, numa grande Avenida de Cubatão, paralela à Avenida Brasil,  tendo na perpendicular a Rua Europa, Rua Portugal,  Rua Chile,  Rua Estados Unidos, Rua Espanha, etc, e também a Rua Olívia de Jesus Peralta, Matriarca da Família.

A primeira grande historiadora de Cubatão, foi  a Professora Doutora  Inez Garbuio Peralta, esposa do irmão José.  A obra de Inez foi publicada pela Prefeitura Municipal, em 1973.

Inez finalizou e executou o processo de geminação Cubatão-Aveiro, em 1989.

Inez é professora da USP, Universidade de São Paulo e foi Secretária de Educação, Cultura, Esportes e Turismo do Município.

A Família também se tornou o maior dos polos comerciais de Cubatão e de toda a Baixada Santista, dando contribuição decisiva ao desenvolvimento de Cubatão e de toda a Região.

João trabalhou, como destacado técnico metalúrgico da COSIPA, a maior Siderúrgica de São Paulo e a segunda maior do Brasil.

João, como professor, exerceu também a função de Secretário de Educação, Cultura, Esportes e Turismo, onde, entre os projetos que despachou, conta-se o processo de Geminação Cubatão-Aveiro. Este projeto veio a concretizar-se na gestão da Professora Inez. Coube também ao Professor João, como Secretário de Educação e Cultura, aprovar a Estátua de Camões, na Praça Portugal.

A viagem de Veleiro é para João, a grande viagem de sua vida.

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Cubatão – O novo Aveiro

Cubatão, em termos geográficos, tem algumas semelhanças impressionantes: os dois têm o seu Lagamar. As águas dos manguezais, seguem as marés, sendo água doce, misturada com água salgada.

Na natureza verdejante dos alagados manguezais há muitas ilhas e ilhotas, onde vivem e se multiplicam muitas aves locais e aves migratórias procedentes de outras partes e de outros Continentes. A mais bela  das aves dos manguezais e lagamar é a garça vermelha (Guarapiranga).

Nestes termos, Cubatão também poderia ser chamada Aveiro (Criatório de Aves).

Mas os mangues e o lagamar também  é um dos berços do Atlântico, onde se reproduzem inúmeras espécies de peixes. Isto ocorre em Aveiro e ocorre em Cubatão. O que Cubatão não tem são as salinas, que já foram um belo cartão postal.

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Cubatão-Aveiro a Bordo de um Veleiro

NA ROTA DE MARTIM SOARES MORENO

CUBATÃO-AVEIRO

A Bordo de Um Veleiro

Crônicas  Preambulares

Noticia-se neste Diário de Bordo, do capitão João Jorge Peralta, a viagem do Veleiro Triunfo II.

A bordo, na primeira etapa, Cubatão/Santos-Salvador, a tripulação é composta por João Jorge Peralta, proprietário do Veleiro, Antônio Abreu Freire, experiente em viagens transatlânticas, em Veleiro, e Pedro César Batista.

Há anos, o professor João vinha  planejando esta viagem,  estabelecendo uma ponte Cubatão/Brasil – Aveiro/Portugal.

Depois de avanços e recuos, enquanto tomava mais traquejo no domínio fluido do Oceano, participando de grandes regatas, chegou a hora tão esperada. No dia 08 de Outubro, corrente mês, deu partida para a grande aventura.

Resta perguntar porque Cubatão-Aveiro. João nasceu no Concelho de Vagos,  distrito de Aveiro, Portugal, de onde partiu, no início de Fevereiro de 1956, para Cubatão, Brasil, aos 19 anos, onde chegou, no dia 26 de Fevereiro do mesmo ano (1956). Fez 55 anos de Brasil, no início deste ano.

Depois de ter visitado Portugal, outras vezes, em visita ou a serviço, faz agora sua viagem, pelas águas do Oceano Atlântico.

Uma viagem com sabor de aventura, enfrentando as intempéries do Oceano Atlântico.

Em 1956, João viajou pelo grande e moderno navio Santa Maria. Durante a viagem, João e eu tivemos o prazer histórico e memorável de nos encontrarmos com o Almirante Gago Coutinho, o herói que fez a primeira travessia  do Atlântico, pelo ar,  a bordo do hidroavião Lusitânia, ligando pelo ar, Lisboa-Rio de Janeiro – Portugal-Brasil.

Foi a viagem comemorativa do Centenário da Independência do Brasil  em 7 de setembro de 1922.

Lembro-me que Gago Coutinho nos emprestou um longo discurso, que fizera recentemente,  e estava apresentado em rolo de pergaminho. Tivemos algumas agradáveis conversas.

Agora viaja num pequeno veleiro de 12,5 m. de comprimento, por 4 metros de largura. O Veleiro é equipado com mais modernos  instrumentos de  navegação.

A viagem é dirigida pelos dois capitães a bordo, João Jorge Peralta e Antônio Abreu Freire.

José J.Peralta

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LARGADA DA GRANDE VIAGEM

LARGADA DA GRANDE VIAGEM
Enquanto aguardamos o nosso navegador entrar em cena, com suas crônicas, apresentamos uma reportagem da saída de Cubatão/Guarujá  – São Paulo do Triunfo II e sua tripulação, publicada no Jornal “A Tribuna” de Santos – SP:

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De Cubatão a Aveiro pela rota de um Herói.

De Cubatão a Aveiro pela rota de um Herói.

(Brasil-Portugal à Vela)

Informações sobre a viagem

João Jorge Peralta realizará a partir do início do próximo mês de setembro uma viagem de veleiro até Portugal, percorrendo um roteiro que inclui Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, São Luiz do Maranhão, Açores, Sevilha (Espanha), Lisboa, Sines e Aveiro, como etapas principais.

A viagem proporciona a realização de um sonho de retornar à terra natal pelo mar, de veleiro, e ao mesmo tempo comemorar o centenário de nascimento de seus pais (a mãe nasceu em 1910 e o pai em 1911, ambos no Município de Vagos), e ainda comemorar uma das figuras mais interessantes de nossa História comum (de Portugal e Brasil), a saber, Martim Soares Moreno, fundador da cidade de Fortaleza há quatrocentos anos (em janeiro de 1612), um dos principais heróis da unidade territorial brasileira, eleito pelo Exército Brasileiro como Patrono da 10ª Região Militar do Brasil, com sede em Fortaleza.

Assim, um dos aspectos da travessia oceânica do Brasil a Portugal e Espanha num veleiro, é a comemoração dos 400 anos da fundação de Fortaleza por um dos maiores heróis de nossa história. É na realidade um pretexto, como a seguir explicarei, mas um pretexto que por si só justificaria esta viagem de navegação à vela, remetendo à nossa História do século 17.

Martim Soares Moreno é Martim, o amado de Iracema, do romance “IRACEMA”.  José de Alencar conta como “bolou” o romance: fez longa pesquisa histórica, nas fontes. O objetivo dele era construir um romance, que além de alegoria da formação da raça brasileira, tivesse fundamento histórico consistente. E de fato o Romance IRACEMA tem fundamento histórico, a tal ponto que muitos críticos literários o consideram um romance histórico.

Martim Soares Moreno é considerado o fundador de Fortaleza, quando em 1612 iniciou a construção do Forte de São Sebastião, para proteger a incipiente povoação. Foi Capitão-Mor do Ceará. Viveu intensamente com os indígenas, com verdadeira amizade e integração, de tal modo que, quando na aldeia deles, vivia nu como eles e se pintava para a guerra como eles. Deles recebeu ajuda e lealdade. Historicamente tudo isso aconteceu durante o domínio da coroa espanhola sobre Portugal e seus domínios. Por isso Martim Soares Moreno fez uma de suas principais viagens a Sevilha, para conseguir ajuda para combater os invasores holandeses e franceses. Será muito interessante passar em Sevilha (estão programados alguns encontros lá com especialistas espanhóis). A escala em Sevilha proporcionará motivações para algumas reflexões históricas e digressões sobre os descobrimentos e sobre Colombo, que saiu de lá para a viagem de “descoberta” da América, mas ao retornar à Espanha parou primeiro em Lisboa e foi “prestar contas” ao Rei Dom Manuel de Portugal.

Martim Soares Moreno nasceu em São Tiago de Cacém, ao sul de Lisboa, perto do Porto de Sines, onde acontecerá uma etapa da nossa viagem, com visitas e eventos na terra natal do herói.

Claro que não pretendemos apenas parar nos locais do roteiro, que são as etapas consideradas mais importantes.

Figura importante no Nordeste brasileiro, é também importante para o Brasil todo: Soares Moreno é um dos grandes “Pais da Pátria”, infelizmente desconhecido, ou quase, ao sul do Ceará. É uma figura fascinante – para mim foi uma descoberta fantástica. É um dos principais responsáveis pela Unidade do Brasil – com sua coragem, determinação, qualidades humanas e guerreiras. A atuação dele garantiu a posse por Portugal das terras do Ceará para cima, ou melhor, de Pernambuco para cima. Isso José de Alencar descobriu perfeitamente. E celebrou em seu romance.

E eu com isso? Sei lá não sei. Contudo, eu tenho muito com isso, sim. Sou português, sou brasileiro, e nada do que diz respeito ao Brasil e a Portugal me é alheio. Mas Soares Moreno é, no momento, também um pretexto para esta viagem. Na realidade há alguns anos me dedico também a aprofundar os conhecimentos sobre nossa História, sempre buscando as fontes, o que me permite concluir que a História do Brasil é de longe uma das mais belas, se não a mais bela história entre as nações da Terra, em que pesem alguns percalços de precurso.

A viagem terá um patrocínio para publicação do diário de bordo e um documentário cinematográfico, graças a providências de meu companheiro de navegação, meu colega dos tempos da adolescência em Aveiro – o Professor, pesquisador e navegador português Antônio de Abreu Freire, autor de uma dezena de livros, que comandou veleiros de pesquisa no Ártico e já efetuou 14 travessias do Atlântico norte e Atlântico sul.

Estou preparando o veleiro para a viagem, o que inclui revisão completa, uma vela mestra nova, pintura do casco e nova pintura antiincrustante.

Eu queria ter feito a travessia no início do corrente ano (era para fazer parte de uma flotilha de velejadores amigos que foram para o Caribe e Portugal), o que deveria ter ocorrido a partir de março ou abril passados, mas problemas da esposa e doença da sogra impediram que isso acontecesse. A comemoração dos quatrocentos anos da fundação de Fortaleza foi o pretexto para isso acontecer agora, potencializado pela amizade com o companheiro de mocidade. Belo pretexto por sinal. Além disso, temos a ocorrência neste ano de 2011 do centenário do nascimento de meus pais, a vinda de meu pai para Cubatão em 1951, e a vinda da mãe e dos oito filhos em fevereiro de 1956 para fixar residência na cidade de Cubatão. De Cubatão a Aveiro num barco à vela, tem tudo a ver. Cubatão e Aveiro são cidades irmãs, por Decretos Municipais de ambas as cidades. Nós (nossos pais, eu e meus irmãos, viemos de Aveiro, mais precisamente de Vagos, um município pertencente ao Distrito de Aveiro, e viemos para Cubatão. Muitos cubatenses são originários da mesma região portuguesa. Viemos pelo mar. De navio, claro, pois era desse modo que se faziam as viagens transcontinentais e transoceânicas naquele tempo! Os veleiros não fazem mais as travessias com caráter de descoberta de novas terras ou de comércio, ou de prestação de serviços de transporte de passageiros. Pois eu desejo voltar a Portugal pelo mar, aliás num contexto mais amplo.  De veleiro, claro! Veleiros hoje servem para esportes e lazer náutico, servem para milhares de famílias realizarem sonhos, realizarem pequenos, longos e longuíssimos cruzeiros. Servem para milhares de famílias de muitos países  realizarem cruzeiros à volta do mundo, inclusive centenas de famílias brasileiras que neste momento estão navegando à vela pelos mares do planeta. Centenas… não é muito, mas é um número considerável, pessoas que  realizam atividade de descoberta, de intercâmbio e de descobrimentos, uma atividade  enriquecedora, que exige determinação, competência, amor à natureza e ao mar, e… grandeza de alma – “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Pois eu estou nessa, e tenho a companhia, ainda que à distância de minha família, de meus amigos, e de muitos amantes do mar apaixonados pelo Brasil e sua história.

João Jorge Peralta

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Projeto – ROTEIRO DE UM HERÓI  (Sinopse)

Martim Soares Moreno

Pelos 400 anos da fundação de Fortaleza, o Roteiro de um Herói pretende percorrer a bordo de um veleiro os mesmos espaços da vida de Martim Soares Moreno, uma vida dedicada à construção e unidade do Brasil, figura exponencial da nossa História do século 17, Patrono da 10ª Região Militar do Brasil. Nascido em Santiago do Cacém (Portugal) em 1586, veio para Pernambuco com 17 anos, para participar na bandeira do açoriano Pero Coelho de Sousa, que largou de Pernambuco em 1603 com 65 soldados e 200 índios, com o objetivo de expulsar os franceses do Ceará e do Maranhão. A ação militar teve pouco sucesso, pois não passou além da serra de Ibiapaba e terminou em desastre, salvando-se apenas alguns dos participantes, que se refugiaram, após três anos de campanha, no forte dos Reis Magos no Rio Grande do Norte, limite do território brasileiro até então controlado pelos portugueses. Um dos que se salvaram da fúria dos indígenas e do flagelo da seca foi Martim Soares Moreno, que regressou a Pernambuco.

No rasto da empreitada do açoriano vieram os dois primeiros jesuítas que se aventuraram pelo Ceará até à serra de Ibiapaba em 1607, determinados a instalar missões até ao Maranhão, onde os franceses eram a cada ano mais numerosos. Mas a ação dos jesuítas também não teve sucesso, pois um deles, o padre Francisco Pinto, foi morto pelos índios e o seu companheiro, o padre Luís Figueira, regressou a Pernambuco no ano seguinte. No final de 1611 Martim Soares Moreno encontrava-se de novo no Ceará, com a missão de construir um forte que prestasse apoio aos colonos e aos missionários, obra iniciada em Janeiro do ano seguinte, o Forte de São Sebastião, em volta do qual cresceria a cidade de Fortaleza. Nesse mesmo ano os franceses, que frequentavam regularmente as terras do Ceará e Maranhão desde 1580, fundaram a cidade de São Luís, destinada a ser a capital da França Equinocial.

A partir de 1613 Martim Soares Moreno teve como missão dar luta, por terra e por mar, aos franceses e expulsá-los do Ceará e Maranhão; mas uma tempestade fê-lo arribar às Antilhas e no ano seguinte encontrava-se em Sevilha a recrutar soldados com os quais se juntou, em 1615, à campanha de Jerónimo de Albuquerque e Alexandre Moura, ação que culminou com a tomada de São Luís aos franceses. Em 1619 era nomeado capitão-mor do Ceará e em 1631 lutou contra os holandeses em Pernambuco, depois na Paraíba e de novo em Pernambuco em 1645. Dedicou 45 anos da sua vida de combatente à causa da libertação do Brasil, foi ferido no rosto e perdeu uma das mãos em combate, nas diversas refregas com invasores e corsários. Regressou a Portugal em 1648, aos 62 anos, onde veio a falecer.

A viagem do veleiro Triunfopassará por Recife, Natal, Fortaleza, São Luiz do Maranhão, Açores, Sevilha e Sines, cobrindo assim os espaços da vida de um dos grandes heróis da unidade da nação brasileira e da implantação da cultura luso-brasileira, no tempo da monarquia espanhola, que teve um papel preponderante na defesa da legitimidade do domínio português pelo nordeste e norte do Brasil. A epopeia de Martim Soares Moreno teve continuidade nas jornadas de soldados e bandeirantes que contribuíram para delimitar o território brasileiro, como Pedro Teixeira, Raposo Tavares e tantos outros. Ele é um dos muitos heróis esquecidos que pretendemos dar a conhecer. A saga de Moreno foi enaltecida no célebre romance de José de Alencar, Iracema, uma das obras literárias mais importantes da literatura luso-brasileira.

A travessia terá um sitio na NET, através do qual os internautas poderão seguir o dia a dia da nossa rota e no final da viagem será publicado o Diário de Bordo e editada uma curta metragem com as imagens do roteiro. A largada de Pernambuco está prevista para meados de Setembro e a de Fortaleza para finais do mesmo mês, afim de fazermos escala nos Açores em final do mês e início de Outubro, para uma chegada a Sevilha na segunda quinzena de outubro ou início de novembro e a Sines no final de Novembro.

Antônio de Abreu Freire

João  Jorge Peralta

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Poemas 1 – Nau dos Sonhos

NAU DOS SONHOS

             José Jorge Peralta
No olhar de lusa gente,

bem no fundo,

há sempre um barco a navegar,

em alto mar.

Seu olhar é uma nau de sonhos

risonhos.

Desdenha dos perigos e transtornos.

É um mar profundo,

fecundo.

Tem as dimensões do mundo.

Seus olhos são um mar azul,

com mil barcos a navegar,

num céu claro, cor do luar.

No seu ouvido

comovido

há sempre uma música a tocar

e uma donzela a cantar

uma linda canção

ao luar

que o faz sonhar

e pela vida se exaltar.

No seu coração,

há imensos espaços para amar

e novos mundo criar.

Há sempre uma companhia gentil

a lhe sorrir

e crianças a brincar em seu lar,

esperanças de novo porvir.

No fundo de seus olhos

há sempre uma nau a zarpar

para seu destino seguir

e lenços brancos, já saudosos,

a acenar… acenar… a acenar…

Na mente dos luso-descendentes,

pelos quatro cantos da terra espalhados,

mora sempre um poeta

ou um arrojado desbravador.

Ainda que não seja um Camões…

Ainda que seja um humilde trabalhador…

é sempre um grande sonhador.

Pelas intempéries e calmarias da vida

é um intrépido navegador.

Navegando… navegando…

navegando sem parar,

seu espaço vai conquistando…

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POEMA 2 MEU BARCO SOU EU

MEU BARCO SOU EU

                José Jorge Peralta

 

VIVER É NAVEGAR

Lá vai o meu barquinho,

singrando as águas do mar,

Vai descobrir novos mundos

e a vida exaltar.

Meu barquinho apressado,

esbelto e altaneiro,

vai ligeiro sem parar

para o alto mar.

Vai seu destino procurar.

Vai, barquinho, vai!

olha que é covardia

no porto ancorado ficar

a não ser para as forças retemperar.

Pois que teu destino é o mar alto,

da praia terás de te afastar.

Então vai.

Vai as ondas e o perigo enfrentar,

para a vida viver

e a glórias merecidas conquistar.

Maior risco é parar. Vai!

Vai o perigo desafiar!

Vai cumprir o teu destino

e pela sobrevivência lutar.

Um peixe bom

poderás pescar,

aventuras mil experimentar

e muita experiência adquirir.

Vai novos espaços procurar.

Vai em busca do social bem-estar.

Viver é navegar.

A vida é um barco

sempre a zarpar…

Velas abertas ao vento,

o barquinho vai…

Vai fazer a vida sorrir

e o mundo se alegrar.

Vai anunciar o porvir.

-2-

VIVER É ARRISCAR-SE

E o meu barquinho vai…

vai a vida descobrindo…

Frágil, esbelto, ligeiro

vai meu barquinho,

pelo mundo afora

pelas águas do mundo inteiro.

Vai pelo mar revolto,

sem medo nem temor.

Mas não vás nas ondas sossobrar.

Olha que o mar é cativante

mas traiçoeiro…

Pode te surpreender e… tropeçar.

Mar é sempre mar…

É espaço para com cuidado desfrutar.

Aos incautos pode tragar,

e em tragédia seus dias encerrar..

O mar é uma escola…

É um livro aberto.

Muito pode ensinar

a quem suas lições

Souber tomar!

Alegre como cabrito solto,

vai, barquinho inteligente,

vai, seguro e competente,

singrando o mar infinito.

O meu barco navegando vai…

Vai navegando

no dorso do mar

qual gazela no pinheiral.

No porto não é o seu lugar.

O mar é o teu lar.

-3-

MEU DESTINO

O meu barco sou eu.

Meu destino é navegar

para a vida celebrar.

Pouco importa onde vou ter…

Só sei onde quero chegar.

Braços firmes ao leme,

lá vou eu

a tempestade e a bonança enfrentar.

Minha sina vou cumprir.

Se o vento não sopra,

pego o remo

e vou remando sem vacilar.

É preciso prosseguir

se ao meu destino quiser chegar.

O mar é meu mundo.

Seus confins é gratificante explorar.

Navegar é meu destino,

é meu modo de aventura desfrutar,

novas energias descobrir

e com meus irmãos

a vida pelo universo repartir.

O mundo é meu mar!

-4-

ROTA MARCADA

Navegando, navegando sem parar,

vai, barquinho, rumo ao alto mar.

Na areia da praia não é teu lugar.

Não vás aí encalhar.

Se o medo te assalta,

resiste… insiste…

É preciso prosseguir,

para as cortinas do futuro escancarar!

Teu destino, tua vida,

tua sina é navegar.

O mar te fascina.

O desafio te alucina.

A pressa te desatina.

Navegar em mar profundo,

o mais fecundo,

vai, barquinho, vai…

Triste de quem fica no cais

a olhar… a olhar…

soltando ais!…

A olhar o barco partir…

A ver o tempo passar…

A deixar a noite a cair…

Essa gente assombrada

não consegue ver o sol nascer

nem as brancas gaivotas planar,

nem a vida amanhecer,

nem o sol-pôr!…

Só lhe Resta o anoitecer.

Frágil, ágil, ligeiro,

vai, meu barquinho!

Vai para o alto mar…

Vai semear em cada mente um ideal!

Vai viver o mundo inteiro.

Vai a vida proclamar!

Vai!

__________________

Argonautas do Brasil é o blogue do Prof. João Jorge Peralta.

João é proprietário do Veleiro Triunfo II. É focado em navegação, assuntos de Língua Portuguesa, História, Literatura, Filosofia e Cultura Geral. Participou de vários torneios nacionais de Vela Oceânica, onde ganhou diversos troféus. Para contatar o “Argonautas”, clique: argonautasdobrasil@gmail.com

Seções do Argonautas

Seções do “Argonauta”

– Singrando o Mar – Diário de Bordo: Rota de Martim Soares Moreno

– Crônicas de Viagem

– Aventura de Martim Soares Moreno, na História de Portugal

– Martim Moreno, na Literatura – Iracema

– Martim Moreno, na Guerra contra os Invasores Holandeses.

– Roteiro de Viagem “Martim Soares Moreno”

– Crônicas de Cultura Geral

– Estudos e Artigos

POEMAS

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