FILOSOFIA DA ARTE XÁVEGA Ou a Arte da Vida e da Convivência

FILOSOFIA DA ARTE XÁVEGA
Ou a Arte da Vida e da Convivência
J. Jorge Peralta
1. Dialética do Cotidiano
Dialogar é um processo de interação que inclui: ceder, reconsiderar e prosseguir, após o ver, ouvir, pensar e decidir..
                  
Figura1
 Fotografia de Pintura de Flameiro 96
Viver supõe a arte da tentativa reiterada para superar obstáculos. Viver é a arte de vencer dificuldades e de aceitar a pluralidade.

A vida das pessoas e das sociedades não segue uma linha reta.
Os obstáculos fazem parte de todos os empreendimentos. Por isso avançamos em zigue-zague ou em curvilíneas, para não perdermos o rumo.
 Precisamos saber superar os ventos contrários. Precisamos saber que agir é arriscar. O caminho está apenas esboçado e é sempre inédito. É preciso ousar.
Para avançarmos seguros, podemos ser obrigados a recuar, se necessário, para retomar, depois o rumo traçado.
Recuar, quando necessário, pode ser uma atitude vital. É melhor recuar do que naufragar. O que não podemos  é perder o rumo. Quem sabe o que quer toma decisões adequadas e certeiras.
Resistir às forças opostas é necessário, mas resistir pode incluir contornar. É questão estratégica.
Não podemos reagir como os irracionais e teimosos carneiros de conhecida alegoria, que se encontram no meio da pinguela, atravessando o rio. Nenhum quis recuar. O resultado foi trágico, como é sabido.
2. Arte Xávega, Uma Lição Milenar
Estas ideias vieram à minha mente ao observar a pesca marítima artesanal, na praia da Vagueira. Chamada de Arte Xávega.
Esta é uma forma de pesca multimilenar. É praticada em muitas praias da costa do Mar Português, voltada principalmente para a pesca da sardinha que por ali passa em grandes cardumes.
Sai de manhãzinha o barco, com as redes. Já para se lançar ao mar, o barco enfrenta a resistência das ondas bravias. Não é fácil vencer a resistência das ondas, do mar bravio  que batem na praia, persistentes e contínuas.
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Rolando sobre toras, os barcos dirigem-se ao mar, altivos, descendo pela areia grossa. A tração é feita pela força de possantes bois e homens musculosos e muito atentos.

Antes da corrida disparada rumo às águas  turbulentas, os pescadores aguardam o momento adequado no intervalo entre as ondas que vêm e vão, num processo de vai-e-vem quase eterno. As ondas são formadas em alto mar, além do horizonte, no Oceano Atlântico. Vêm num processo contínuo, formado há milhões de anos.
A Costa Portuguesa, tão bela e tão rica, é a última margem de terra, no extremo Oeste da Europa, também chamada Finis Terrae:  O Fim da Terra.
Este é o país “onde  a terra se acaba e o mar começa” (C.III, 20).
A Costa Portuguesa suporta todos os embates do Atlântico, que, vindo de grandes distâncias, às vezes tumultuadas, encontram nestas areias e nos rochedos de Portugal um leito seguro para se reclinarem e se apaziguarem.
É essa fúria do Oceano, que vem medir forças com as nossas praias, que os nossos bravos marinheiros precisam saber driblar, para lançar ao mar os seus barcos de pesca.
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Driblar, sim, pois a força do mar ninguém vence. Apenas precisa saber como aproveitar o  momento certo para com ele conviver e sobreviver, nessa peleja permanente e arriscada.
Na pesca, como na vida, a pessoa não pode deixar se intimidar, para não perder a auto-confiança.
Acertado o momento estratégico, lá vão os nossos pescadores. Vão lançar as redes em alto mar. Na volta, trazem para a praia, uma das pontas da corda que servirá para arrastar a rede mais tarde. A outra ponta já ficara presa à saída
3. Saber ceder, para a Corda não rebentar
Pelo meio da tarde começa a segunda tarefa: puxar as redes, talvez carregadas de peixe, para a praia.
Até uns cincoenta anos atrás, as redes eram puxadas por juntas de bois; muitas juntas.
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Eu gostava de observar a dinâmica do processo:
No alto mar, as ondas, no seu vai-vem, tanto empurram as redes para a praia, como as empurram de volta para o alto mar.
Quando o mar estava a favor, impelindo as redes para a praia, os bois devolviam alguma velocidade. Quando a energia do mar invertia seu furor, os bois, por vezes, recuavam, pela força adversa, e assim, impediam, nesse movimento natural que as redes se rompessem ou as cordas rebentassem, e tudo se perdesse.
Este investir persistente seguido de forçado recuo, dominando o furor bovino, permitia que as redes chegassem à praia, abarrotadas de peixe, para alimentar o povo.
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Espetáculo belo de se ver. Enche os olhos aquele monturo de peixes pulando, tentando voltar ao mar, dando o último esforço para resistir pela vida, que sentem se perder, para alimentar muita gente.
No ar, um imenso bando de gaivotas mergulham nas ondas para pegar os peixes que da rede escaparam.
Esta é a Arte Xávega que todos podemos testemunhar ainda hoje.
Uma grande lição de vida, uma filosofia do saber viver e conviver.
4. Arte Xávega na Vida Cotidiana
Como na Arte Xávega, na vida precisamos saber arremeter e ceder em horas certas e oportunas. Sempre teremos barreiras a enfrentar. Precisamos saber a hora estratégica, em que vale a pena arremeter, de olhos bem abertos e atentos.
Precisamos saber que a teimosia pode pôr tudo a perder, se não soubermos ceder para podermos depois prosseguir.
O sucesso vem da arte de domar o vai-e-vem sempre persistente. Se forçarmos além da linha do possível, podemos perder nosso objetivo. Precisamos então saber recuar, oportunamente. Recuar e avançar, com sabedoria. Se sabemos o que queremos,  saberemos como chegar.
Nem sempre a linha reta é o caminho melhor e mais adequado. Às vezes o mais adequado é tentar em zigue-zague.
Outro exemplo dinâmico do processo em zigue-zague, ou para trás e para diante, é o jogo de futebol. Para vencer a marcação cerrada do adversário, que faz barreira, o jogador o dispersa, jogando em zigue-zague, com seus companheiros, inclusive recuando o jogo, para, na hora adequada, arremeter com mais força, no campo adversário, e, quem sabe, abrir chance de chutar a gol, balançar as redes e levantar o povo nas arquibancadas.
Ceder pode ser a oportunidade de agregar mais força para arremeter.
Na convivência e na interação humana, temos muito a aprender da Arte Xávega.
5. Arte Xávega é Sabedoria
A “Arte Xávega” é a arte do sucesso. Opõe-se à teimosia de quem pensa que só para a frente é que se anda. Um recuo estratégico pode mudar os rumos da vida e da história. Enquanto recuamos, tudo se rearticula.
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Viver é manter  um diálogo permanente com o mundo que nos cerca.
Recuar pode ser a salvação de um grande projeto. Recuar apara arremeter. Recuar, às vezes, pode fazer parte das circunstâncias da condição humana. Recuar como estratégia e não por timidez.
Queiremos ou não, a vida é cheia de obstáculos, que precisamos saber superar com sabedoria, competência, persistência e galhardia.
Agora já podemos inventar a teoria da Arte Xávega.
A Arte Xávega nos ensina que na vida, cada viagem é uma viagem e que cada viagem tem suas próprias surpresas. Na Arte Xávega não há monotonia, nem mordomia.
A lei, na Arte Xávega, é a antiga senha dos cavalheiros: “Um por todos e todos por um”.
Nota: oportunamente postarei, aqui, um ensaio sobre a “Arte Xávega, Passo a Passo”. Aguarde.
Por enquanto sugiro que veja dois vídeos publicados no You tube.

África – Um Continente Consolida seu Futuro

ÁFRICA
Um Continente Consolida seu Futuro
José Jorge Peralta
Estátua de Bartolomeu Dias na Cidade do Cabo, África do Sul.
Estátua de Bartolomeu Dias na Cidade do Cabo, África do Sul.

1. O mundo, do Ocidente ao Oriente, está, nestes dias, de olho na África negra e morena. A Copa do Mundo, faz da África o centro do mundo. Palmas para a África!

A África do Sul conseguiu um grande trunfo para a humanidade, ao colocar os holofotes do mundo, no Continente Negro.
Foi lá que Bartolomeu Dias abriu o Portal  da história, para dar partida à unificação do mundo, do Oriente  ao Ocidente, quando passou o Cabo das Tormentas, (1488), depois chamado Cabo da Boa Esperança. O fato paradigmático foi perpetuado em granito, para a eternidade, nos Lusíadas de Camões e em estátua, na Cidade do Cabo, perto de Johannesburgo.
Penso que esta geração não pode passar, sem que a África seja reconhecida como um Continente magnífico, por sua cultura, por sua gente e pela produtividade e beleza do seu território e de seu povo.
Então o Continente Africano será reconhecido e honrado, ao lado da Europa, das Américas, da Ásia e da Oceania, em pé de igualdade.
A África é um Continente belo e promissor. Um Continente encantador, que eu ainda não tive o prazer de conhecer (Vontade não faltou).
2. O mundo Ocidental precisa reconhecer que o Continente Africano merece todo o respeito, não por favor mas por direito. Que os países da África não podem ser tratados como simples fornecedores de minerais preciosos, de terras férteis, de mão-de-obra e de espaço de manobra para as grandes potências. Deve ser considerado como grande parceiro.
Atrocidades gratuitas como as que capitaneou o Rei Leopoldo, da Bélgica, são holocaustos repugnantes. Como são  repugnantes os holocaustos  comandados, por chefes africanos, dizimando tribos  mais frágeis  em forças,  de que os Anais da História  registraram com horror. O passado passou. Vamos construir o futuro,já, sem ressentimentos, decididamente.
3. No Brasil, os portugueses, com os africanos, criaram um país multirracial e miscigenado. Aqui, negros e brancos, convivem em paz, tal qual os brancos entre si,  onde não faltam rusgas eventuais, naturais entre os humanos: entre brancos e brancos, negros e negros, entre brancos e negros e entre negros e brancos… Assim caminha a humanidade…
Mas existe aqui um espaço muito mais amplo e alvissareiro de solidariedade, fraternidade e generosidade, de parte a parte, sem radicalizações autoritárias.
Aqui, brancos e negros se cruzaram, dando origem uma quinta cor na espécie humana: a cor morena, como dizia Darcy Ribeiro.
Hoje temos, no mundo, cinco “raças”: brancos, negros,  morenos,  amarelos e vermelhos.
O moreno tem uma cor definida de que deve  poder se orgulhar, e assim deve ser classificado. Ele não é branco, nem é negro. É moreno com muita honra.
Moreno com muita honra.
CPLP países

O mundo moreno é marca  da Lusofonia. No tempo da colonização, os morenos, descendentes de brancos com negros, eram considerados brancos.

A pessoa que tinha qualquer porcentagem  de sangue branco era, diante da lei, considerada branca. Esta era a norma, geralmente respeitada.
Por esse modo de ver, considerando o negro a par do branco, tivemos um dos maiores gênios  de pensamento de todos os tempos, no século XVII, o Pe. Antônio Vieira, neto de negra. Vieira foi e sempre será um gênio moreno que espantou o mundo do século XVII com seus talentos e com sua sabedoria, de Salvador à Lisboa, Roma, Paris, Londres, Amsterdã, etc, etc.
No século XVII, o mesmo P. Vieira declarava, em Cabo Verde, que os padres negros  eram melhores  e mais dedicados  do que muitos dos padres portugueses  do Reino.
4. O Brasil desenvolveu um país multirracial, numa  convivência muito positiva de que só pode se orgulhar, assim decantado por Gilberto Freyre, grande admirador da África, dos africanos  e dos moremos, fruto da auspiciosa miscigenação.
Os laços Brasil-África sempre foram muito intensos e positivos.
Eram tais os laços que uniam Brasil, Portugal e a África  que, ainda no século XVI, estando Angola invadida pela Holanda, como esteve todo o Nordeste Brasileiro, deu-se um fato emblemático. Depois que expulsaram os holandeses do Brasil, portugueses, negros, índios, após reequiparem a frota, saindo do Recife, atravessaram o Atlântico, e foram a Angola expulsar os holandeses, invasores, para que Angola ficasse livre. Cumpriram a missão com sucesso e muita audácia.
Foram os Africanos, juntamente com os portugueses, quem mais fez pelo desenvolvimento do Brasil, nos três primeiros séculos. Desenvolveram o Brasil a ponto de ter condições de se tornar cabeça de um grande Império, com  a vinda de D. João VI, que aqui instalou o poder central do Império Português, em 1808, há duzentos (200) anos.
 A África tem uma presença inapagável e bela na história do Brasil e de Portugal.
5. A obra de civilização, com os laços multirraciais e miscigenados, marcou a ação portuguesa, nos cinco continentes. mapa mundi lusofonia  1

Na África e na América do Sul está a grande força da Lusofonia.

Dos oito países, de raiz e fala lusófona, cinco estão na África: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe.
A Lusofonia a todos reúne a cada momento, através da língua comum.
A África faz parte de nós e nós fazemos parte da África. Somos continentes e países irmãos. A Lusofonia nos une e nos irmana.
No Brasil convivem e trabalham, em paz, pessoas de todos os povos da terra.
Irmãos de sangue, de cultura e de trabalho.
6. Na Copa do Mundo, na África do Sul, estarão torcendo por Portugal e pelo Brasil as cinco (5) nações Lusófonas e muitas outras nações onde vivem milhões de portugueses e lusodescendentes, por toda a África. Torceremos uns pelos outros.
As bandeiras do Brasil e de Portugal estarão hasteadas em muitos lares, por todo o globo. Em muitos lares e em milhões de corações estarão desfraldadas as bandeiras da Lusofonia.
A África orgulha-se da Lusofonia e a Lusofonia orgulha-se da África.
7. A África tem tudo para ser um Continente de primeira linha, na história do mundo. Mas precisa saber implantar um processo de desenvolvimento que pense na prosperidade econômica, sem se descuidar da qualidade de vida das pessoas, da educação do povo e da preservação do meio ambiente sadio.
Lá onde erraram os países, que fizeram o desenvolvimento atual, a qualquer preço, por adotarem o capitalismo selvagem, a África pode usar a  lição para não repetir  os erros evitáveis. Assim, poderá aproveitar o que de melhor  lhe oferece  o modelo de desenvolvimento atual, tanto no Ocidente como no Oriente. Poderá então evitar tudo o que compromete o futuro de seu povo e da humanidade.
Sabemos que não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos, mas também sabemos que, se quebrarmos  todos os ovos, não termos  mais galinhas para continuar a botá-los. Não podemos matar a “galinha dos ovos de ouro”.
Apesar de todos os desvios conhecidos, apesar da escravidão, o Brasil e Portugal são exemplos de respeito à África e aos africanos. São parceiros leais, com alguns malandros como contrapeso…
Os desvios foram  questões de percurso que já foram superados. Olhamos para frente…
8. O nosso povo brasileiro, branco ou moreno ou negro, amarelo ou vermelho precisa redescobrir  a  África, que convive em nosso meio. Aliás, já estão descobrindo. Somos povos entrelaçados, pelo sangue,  pela cultura e pelo destino.
operários
Brancos, negros, amarelos ou vermelhos somos uma cultura miscigenada.
Somos todos, culturalmente morenos, como brancos e negros.
Brancos, negros, morenos, amarelos ou vermelhos, vivemos todos com respeito e liberdade, neste país. Esta é a norma do país. Desvios de discriminações também existem. São as falhas da condição humana.
9. O que  falta aos lusófonos, é uma cultura mais consistente, universalista e local, para sermos um povo mais consciente, competente e atuante. Para nos sabermos impor, no contexto das nações.
Sem uma educação melhor, sempre seremos vítimas de  um pensamento frágil, volúvel e trivial. Não sabemos o que somos ou quem somos e quanto podemos.
Somos uma potência que se desconhece. Por isso nem sempre somos livres e soberanos. Não alcançamos todos os resultados que poderíamos desfrutar, no contexto das nações.
Somos vítimas dos fabricantes de armas que compramos para matarmos mutuamente…
A cultura de nosso lado africano, no Brasil, articulado com o nosso lado europeu, indígena e asiático, respeitando as dimensões de cada uma das nossas heranças étnicas e culturais, faz parte do processo de conquista  de um mundo melhor para o nosso povo. Elevar à cultura e o bem-estar do nosso povo é elevar a humanidade.
O grande elo que une fortemente os povos lusófonos é a Língua Portuguesa.
lusofon
Na Língua Portuguesa,  a gente  se entende. Nela nos encontramos e interagimos.
Os laços que unem Africanos, Brasileiros, Portugueses, Asiáticos e Oceânicos de Língua Portuguesa são sólidos; são culturais, familiares e muito mais fortes do que os laços econômicos e políticos, que são apenas estratégicos e sempre se fazem presentes.
A Copa do Mundo de 2010 deu a voz e a vez à África, em boa hora.
10. Certamente Angola e Moçambique, com o grande progresso sócio-cultural e econômico que já desponta, estarão se preparando para sediar uma das próximas Copas, quando for de novo a vez da África.
Sobre a Língua Portuguesa, leia mais em: O Grande Despertar… (clique)
Daqui de meu escritório, em São Paulo-Brasil, a maior cidade do Ocidente, a maior cidade Lusófona do mundo, saúdo efusivamente todos, os Africanos de todos os quadrantes, com destaque mais carinhoso para os povos africanos lusófonos, com os quais compartilho o mesmo sangue linguístico e a mesma fé num futuro mais promissor.
Na Lusofonia somos irmãos, sem distinção de cultura  ou de cor.
A Lusofonia nos faz universais nos cinco continentes.
Leia mais :

http://tribunalusofona.blogspot.com/2010/01/lusofonia-um-polo-de-articulacao.html

Brasil Multirracial

A partir da promulgação do Estatuto da Igualdade Racial somos compelidos a fazer alguns comentários, correlacionados ao tema em destaque: a Questão Racial no Brasil. É o assunto do presente ensaio, que pode ser seguido de outros. Seguimos rumo, em contraponto, denunciando riscos prováveis, a serem  prevenidos, para o bem da nossa nação plural e unitária e para que esta Lei não seja a nova ânfora de Pandora.

1. Unidade na Diversidade
O Brasil, como povo e como nação, é uma das obras primas mais belas da civilização humana. Tem alguns defeitos  (qual não tem?!) e muitas virtudes, que garantem sua grandeza. Respeitêmo-lo como ele é.
Este é o país que conseguiu fazer a grande síntese da humanidade. Aqui coabitam todas as raças e povos, em convivência cordial.
            O Brasil é um País que consagrou a convivência pacífica da diversidade.
Pero Vaz de Caminha, em 1500, já registra o fantástico congraçamento de brancos e indígenas, na chegada de Cabral. Espelhou o tradicional olhar do português sobre o mundo.
Ninguém tem direito de desafinar mais esta orquestra. Procuremos, antes melhorar a sua afinação. Ela é genial.
Este é o país plural por natureza: um país miscigenado, em termos genéticos e culturais.
Brancos, negros, morenos, vermelhos, amarelos, aqui convivem sem perseguição e com relativo respeito à dignidade de cada um. Este é um povo cordial.
Cordial?! Cordial, sim, mas não perfeito. Rusgas entre uns e outros sempre haverá.  Tanto entre “raças” como entre irmãos.
Não é problema racial, é apenas fraqueza, cobiça ou farisaísmo da própria condição humana.
O Brasil é um país multirracial, um país plural. Todo o mundo sabe disso. Só alguns brasileiros não querem ver. Por ignorância, por desinformação ou por mal-querença, alguns querem retorcer e mudar os rumos da história do País.
Muitos não vêm esta realidade, positiva, que nos enleva, porque querem transplantar para cá os paradigmas dos EUA. Mas tal atitude não é adequada; São realidades muito diferentes que não prosperam. Mas incomodam muita gente. Tumultuam.
Muitos não conseguem entender a complexidade do modelo social brasileiro. Querem adotar aqui o modelo de análise da realidade americana. Impossível. Só pode gerar conflitos. As duas realidades, são incompatíveis. São também incompatíveis os modelos de análise.
Nos EUA, opõem-se brancos e negros. No Brasil, a realidade é outra. Temos uma  terceira categoria social, o mulato/moreno que é o elo de ligação nacional, originado, do relacionamento do branco com o negro. O mulato (branco+negro) é marca nacional.
Conseguimos construir um país unido e solidário. Quem agora está querendo dividi-lo? Parece que há sempre um Judas à espreita. Se nos descuidarmos, ele leva vantagem. Vamos reagir! Vamos recuperar o Brasil brasileiro e não deixar americanizá-lo…
Há muita visão equivocada. Vamos pensar juntos. Há, no Brasil e em outros países uma grande máquina de intimidação, de ameaça bem montada, mas é preciso reagir para não amordaçar a sociedade livre.
Não deixemos silenciar a “Aquarela do Brasil” (de Ary Barroso). Não deixemos o mundo urbano matar de vez o Brasil genuíno, original, que muito bem pode ser preservado. É este o Brasil que encanta o mundo. É esta a nossa grande mensagem de Paz!
2. Mandela no País Multirracial
Nélson Mandela, ao visitar o Brasil, após o fim do apartheid, saudou o Brasil, com orgulho, como país multirracial, onde brancos, negros e morenos convivem em paz e harmonia. Enfim, os ideais que ele queria ver implantado na África do Sul.
As ONGs berraram, farisaica e fascisticamente, porque Mandela prejudicava a sua atuação. Tirou-lhes a máscara e a razão.
Saiu em campo a “lei da mordaça” e a afirmação de Mandela foi banida, talvez em nome do “politicamente correto”. Pigmeus quiseram dar lições a um gigante.
O rolo compressor é terrível e massacrante… É sádico e perseguidor inveterado.
 Sim, muitas ONGs vivem da desavença. Até a criam quando não a acham. Mas a desavença sempre existirá entre as pessoas. Por inveja, por ódio, por ignorância, por totalitarismos fascistas e até por motivo de complexo e discriminação racial. Mas estas são mazelas da insensatez humana. A civilização trabalha para banir tão constrangedora mazela da sociedade, com sinceridade e lealdade à humanidade.
Não deixemos destampar a ânfora de Pandora. O Bem e o Mal coexistem sim. Alguns querem levantar a tampa da ânfora, para fazer sair os males, que estão na superfície, e tampar de novo para que os bens fiquem prisioneiros e a sociedade vire um pandemônio. Assim poderão infernizar a vida de muita gente dedicada e decente. Puro sadismo?!
3. Brasil, um País Multirracial
O Brasil, como tal, é um país cordial. Isto não significa ser morno, como muitos interpretam; morno ou frouxo. Isto ele não é. Mas é cordial e isto o honra, por mais que a onda “politicamente correta” o empurre para a agressão grosseira… que vão se tornando moda de bom tom (?!). Ser cordial, para alguns, não é marca de prestígio… São os cegos preconceituosos…
Nas escolas lhes ensinam preocupantes lições: que sejam arrogantes, abusados, vilões; que levem sempre vantagem, em qualquer situação.
Inimigos sempre os tereis por perto, diria alguém.
E Vieira retrucaria: “É melhor ter inimigo do que não os ter”. É sinal de que você tem algo mais, que o outro inveja. O Povo brasileiro é um povo vivo, ativo e sagaz.
Os judeus e árabes, em Israel e na Palestina, digladiam-se por disputas de territórios. Aqui convivem lado a lado, pacífica e amistosamente. Aqui vivem em paz, com o respeito a que têm direito todos os seres humanos.
4. Sementes da Discórdia
No Brasil, até dois anos atrás, nas salas de aula, ao menos em todas as escola públicas, havia um número determinado de alunos. Ninguém sabia quantos brancos, quantos negros e quantos morenos (mulatos). Jamais houve esta distinção, essa estatística. Eram apenas gente, alunos. Não havia, nem se imaginava, a distinção pela cor da pele. Apenas se distinguiam, eventualmente, por sexo: masculino/feminino. Não havia discriminação.
Todos conviviam natural e espontaneamente. O sistema cooperava.
A divisão só veio no governo atual, por obra e graça das ONGs que faturam no conflito e ameaçam com a “mordaça” a quem quer liberdade para pensar e seguir, por caminhos de ares menos poluídos, pela intransigência míope.
Neste governo, as ONGs da área, conseguiram até uma Secretaria/Ministério própria.
Para o Estatuto da “Igualdade” Racial, o brasileiro é antes branco ou negro e só depois é brasileiro. Para rechear suas estatísticas, agregaram aos negros, os morenos/mulatos, descartando-os com categoria. Ocultando-os, como se isto fosse possível!!
No entanto, os morenos/mulatos, não são negros. São uma categoria especial, com muita honra. Têm sangue branco e sangue negro. Podem então ser brancos ou negros, ou de preferência são morenos, como queria Darcy Ribeiro. No moreno temos a síntese da gente brasileira.
Os morenos  querem ser respeitados como morenos. São mulatos, isto é, são mestiços e formam uma comunidade respeitável na sociedade brasileira.
5. O Mulato em Destaque
Os mulatos/morenos/pardos são um alto contingente dos brasileiros. Aproximadamente 43,2% dos brasileiros são pardos/ mulatos/ morenos, segundo o IBGE. Ainda não há uma designação fixa. Eu prefiro “moreno”.
Não estou adotando o termo mulato, porque alguns o consideram, artificial e tendenciosamente, como depreciativo.  Lançaram descrédito preconceituoso sobre o nome mulato. Mas não é nome depreciativo. São interpretações falsas, tendenciosas e preconceituosas. Devem ser superadas e revertidas.
Acho, aliás, que poderia ser retomado o termo mulato, com todo o vigor e orgulho, vencendo preconceitos detestáveis, que ocorrem hoje, desonrando o País. Não esqueçamos que as nossas mulatas são padrão de beleza escultural internacional.
Se mestiço não sugere preconceito, por que o nome mulato é mal visto? Quem o quer denegrir? Vamos  iluminá-lo com a verdade sócio-cultural. Vamos recuperar-lhe a positividade.
Em termos lingüísticos, pela etimologia, a nossa palavra “mulato” vem da língua árabe e quer dizer, simplesmente, “mestiço”, isto é: filho de árabe com não árabe. A palavra “mulato” vem da palavra árabe “muwallad”. Wallad quer dizer: procriar.
Lembremos que os árabes estiveram em Portugal, por 400 anos.
A Língua Portuguesa tem muitas palavras de origem árabe. Mulato é uma delas.
No Dicionário Latim-Português, de Hieronymo Cardoso, publicado em Lisboa, em 1569, a palavra “mulato” significa mestiço. Assim ficamos sabendo que, em Portugal, no século XVI, já havia mulatos, que eram os portugueses mestiços de árabe com lusitanos, por exemplo. Então não é uma palavra ofensiva. Por que seria?
Culturalmente, somos todos mulatos, pois nossa cultura é mestiça. Somos o Brasil Moreno.
A palavra mula, aplicada ao animal híbrido, tem a mesma origem, com o significado de “mestiço”.
O nome “mulato” não tem nada a ver com o animal muar. Apenas o nome dos dois tem origem no conceito de mestiço, como origem genética, sem interferência biológica ou de status social.
Há algum tempo ouvi um estudante, na Faculdade, dizer que não é mulato, porque a mãe dele não é mula. Veja o que faz a informação preconceituosa. Ao lhe informar eu que a palavra mulato quer apenas dizer que ele é mestiço, ele se alegrou, e se sentiu enganado, dizendo que então gostava de ser mulato, porque de fato é mestiço. Achou então a palavra bonita e verdadeira. Jamais ofensiva como alguém lhe anunciara. Estes preconceitos, forjados  e ofensivos, são criminosos. É preciso desmascará-los.
Hoje, mulato significa, etimologicamente apenas: mestiço = filho de branco com pessoa de cor negra. No nosso caso designa: Português + Negro = Mestiço=Mulato=Moreno.
O Brasil é um país moreno. Assim é o nosso povo. Um povo belo e honrado.
Assim é e assim será. É o nosso DNA.
6. O Estatuto Une ou Divide?!
Estão impondo ao país, goela abaixo, o Estatuto da Igualdade Racial, de intenções um tanto quanto inconfessáveis.
Quanto ao projeto do Estatuto foi divulgado, em 2007/2008, causou profunda celeuma.
A antiga Ministra/Secretária da Igualdade Racial deixou clara as intenções perversas do Estatuto, ao tentar impô-lo “na marra”.
A Imprensa nacional degladiou-se, denunciando o caráter nada democrático do Estatuto. A polêmica nacional marcou o momento, que chegou a ser constrangedor, mas muito esclarecedor.
Desmascarou o tal Estatuto.
Igualdade entre todas as pessoas, sem discriminação, é o que todos querem, mas não novas artimanhas para jogar uns contra os outros, para dar mais poder de manobra a alguém.
O verdadeiro Estatuto da Igualdade é a Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana, proclamado pelo ONU.
A Constituição do Brasil, de 1988, é eloquente neste campo da igualdade social, que inclui a igualdade racial.
Finalmente, no início deste mês de julho (2010) o Estatuto, com profundas alterações, foi aprovado no Congresso Nacional, e promulgado pelo Presidente, no dia 20/07/2010. Algumas afrontas à razão humana e à igualdade entre as pessoas forma sanadas, mas o cerne permaneceu. O cerne insensato da divisão do povo brasileiro, golpeando sua característica essencial de um povo uno e diverso, um povo plural, foi mantido.
A Constituição exige tratamento a todos, por igual,  a cada um conforme a necessidade, sem paternalismo e sem discriminação de raça, sexo ou condição social, sempre como promoção humana. Isto é igualdade de direitos e de deveres.
Assim, todos os excluídos, socialmente, deveriam ter alguma proteção, quer sejam negros, brancos, amarelos ou vermelhos. Todos, sem discriminação, precisam ser beneficiados por medidas positivas, através de políticas públicas adequadas. Todos precisam ter sua oportunidade, sem castramentos, legais ou não.
Quisera eu que estivessem enganados todos quantos tiveram coragem de levantar sua voz contra  este desserviço à nação, de leis extravagantes.
7. Lei Implanta a Discórdia
Trocam a unidade e a paz do país por dividendos políticos, oportunistas, ante uma imprensa aturdida e babaca, sem aptidão crítica, subserviente…
Ao assinar este Estatuto, o atual governo compactuou com uma lei complementar que muitos consideram um crime de lesa-pátria. A conferir. Representa um simulacro de Apartheid racial americanizado, às avessas.
Estará dividindo o país entre povos, raças e etnias, ferindo gravemente e talvez irreversivelmente sua unidade multirracial, que era sua grande marca, seu maior motivo de orgulho.
A obra genial da fraternidade multirracial foi agredida. O coração do Brasil foi golpeado.
No novo Estatuto não teremos mais um povo de brasileiros e brasileiras, mas um povo de brancos, negros, afrodescendentes e eurodescendentes, etc. Desaparece o moreno/mulato, que era nossa marca registrada. Esquecem-no ou desconhecem-no como se fosse algo indigno e descartável. Sai da Estatística. Isto é que é indigno!
Entretanto, o mulato/moreno, tem tanto direito ao reconhecimento de sua especificidade racial, como o branco e como o negro. É questão de legitimidade. Falsificar a realidade é falsidade ideológica. Quem quer ser enganado?! Quem se cala?!
É uma condição humana, tão normal e tão genuína, ser descendente de branco+branca, ou negro+negra, ou branco+negra. Geneticamente até há alguns ganhos… Todos sabemos disso.
O mulato/moreno não tem porque envergonhar-se da própria genética. Deve antes se orgulhar. Quem quer enganar o povo? O Brasil orgulha-se de ser um povo mulato, miscigenado e mestiço.
Quem entende a história e a questão da interação humana sabe disto muito bem. O conhecimento está disponível para quem o procura; não tem trancas.
Agora, uns lutarão contra os outros, não pelos direitos iguais de todos, como cidadãos, mas cada um querendo tirar vantagem. Querem implantar a discórdia?! O Estatuto abona atos anti-sociais?!
O Estatuto lembra-me o bolo de aniversário de São Paulo: dada a largada, as pessoas se lançavam sobre o bolo, desorganizadamente e ambicionando pegar o mais que pudessem, numa sofreguidão deprimente. Jogavam ao chão uma boa parte. Quem chegasse alguns minutos depois já não teria nada para levar para os seus. O desperdício é de lastimar.
Mais uma vez vence a lei de Gérson:
Tirar vantagem em tudo”, contra quem quer que seja, e por tabela, contra si mesmo.
Só um Congresso débil, fraco, mambembe e subjugado, para cair nesta esparrela, destruindo o que promete.
Este é o país que o governo quer criar?! Que futuro queremos?!
Os ódios intergrupais, estimulados pelo nonsenso poderão jogar grupos contra grupos, em disputas armadas, fazendo jorrar mais sangue de inocentes. Alguém está apostando nesta opção?!
Não creio que alguém queira isto. Por que não se faz uma campanha cerrada, exigindo educação de qualidade para todos e postos de trabalho para todos viverem com dignidade do próprio trabalho e não da esmola que humilha e subjuga.
8. Fraternidade Ameaçada
É preciso acautelar-se dos semeadores da cizânia. Não deixe destruir o seu belo país.
O fatídico Estatuto pode ameaçar a fraternidade multirracial do Brasil.
Todos queremos, sim, um país igualitário. Mas não é por meio de leis, como esta, que alcançaremos mais justiça e equidade neste país fantástico, mas amordaçado por alguns manipulados e fracos sob o comando de forças iníquas e escusas.
Queremos todo o povo unido contra a desigualdade social, contra todas as injustiças, contra toda a discriminação, contra o racismo e contra o farisaísmo.
Sem dúvida esta lei poderá ter efeito danoso, contrário. Produz a cisão iníqua, no meio do povo. Em vez de abolir as divisões entre raças/etnias, aumentará a divisão.
O povo brasileiro repudia tal divisão. Esta lei é efetivamente iníqua e deve ser repudiada, em nome do ideal igualitário do povo brasileiro, que dizem querer implantar.
Fiquemos alerta para que esta previsão não prospere e para que o Estatuto, pela oposição que se lhe faz, se mude na prática num benefício efetivo a unidade multirracial do povo brasileiro. Que todos se mantenham solidários e fraternais, sem fronteiras raciais.
9. Dignidade sem Fronteiras
            Muitos podem não concordar com algumas das afirmações desta crônica. Todos têm direito de discordar, dando as suas razões, com lealdade. Este é o modo como encaro esta questão, muito séria, no âmbito das razões que expus.
Defendo a democracia multirracial e plural, com liberdade, igualdade e fraternidade, sem a “lei da mordaça” que alguns tentam impor a quem deles discorda.
O foco de tudo é a dignidade humana, sem fronteiras. Deste limite não deveríamos passar. Esta é a garantia das liberdades, com justiça, que tanto prezamos.
Devemos consultar sempre a Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana”, da ONU, que não exclui ninguém.
Amigos,
Para degustar, poética e artisticamente o cerne das ideias que aqui debato, recomendo que ouçam as gravações cujo link vai a seguir.
Basta clicar.
Leia mais, Dar é Humilhar (clique)
 DAR É HUMILHAR
                   ENSINAR É LIBERTAR
                                    “Ganharás o pão
                                   com o suor de teu rosto”
                                         (Gêneses)
                   1
         NÃO FAÇA NADA  POR NINGUÉM
          Não faça nada por ninguém
          que isso humilha o cidadão,
          se é humano e capaz.
          É paternalismo furado.
          Acomoda mas incomoda.
          Dar o peixe
          é perpetuar  o pedinte.
          Ensinar a pescar
          é libertar.
          Ajude a obter o anzol
          e a programar a pesca,
          e terá  um homem capaz,
          auto-suficiente e feliz.
          Ensine cada um
a encontrar as próprias soluções,
          a definir o próprio rumo,
          a ser mais que um objeto de consumo,
          a ser um homem, não um cogumelo.
          Dê educação,
          ensine uma profissão.
          E o homem terá aptidão,
          e construirá a cidade
          com coragem e tenacidade.
          Construirá seu teto
          formará seu lar
          ganhará seu pão.
          Será um cidadão.
          Orgulhoso da vida,
          terá sua profissão,
          como um galardão.
          Dar o peixe é perpetuar  o pedinte.
          Ensinar a pescar é libertar.
                 2
             FAÇA TUDO
          Fazer pelo outro
          o que ele é capaz de fazer
          é dominá-lo, amordaçá-lo,
          anulá-lo, escravizá-lo,
          subservientá-lo, oprimi-lo…
          É fazer nada !
          Nada que possa ajudá-lo.
          É maltratá-lo.
          Mostrar-lhe o caminho
          apontar-lhe a luz,
          despertar sua vontade de vencer e de viver,
          é recuperá-lo e dar-lhe autonomia.
          É reerguer o homem.
          É fazer tudo.
          Tudo o que pode libertá-lo.
          E o homem se manterá confiante
          senhor de si, de seu caminho,
          livre do lobo e da serpente,
          da subserviência e da opressão.
          Liberto,
          o homem será um cidadão!
          E você também.
          Você terá feito tudo por seu irmão
          E basta!
          Do mais ele será capaz.
          Deu-lhe sua mão.
          Abriu-lhe seu coração.
          Deu-lhe educação.
Arrancou-o da humilhação.
          Tirou-o da contramão.
          Ajudou a recuperar um cidadão!
          E viva a nossa união!
                    3
           É DANDO QUE SE RECEBE
                             “Em se plantando tudo dá”
                                                                P.V.Caminha
        Se não estás disposto a suar a camisa,
        não serás merecedor,
        de um teto,
        de um afeto,
        ou de um prato de comida.
        O mundo moderno, populista
        é escravagista!
        Oprime os fracos com fantasias…
        com promessas vãs.
        Obstrui suas mentes e domina-as
        com falácias
        e falsos eldorados.
        Todos querem comer
        mas também é preciso plantar, cuidar e colher.
        Todos querem ter uma casa,
        mas quem se dispõe a construí-la?
        Todos querem o caminho, mas quem abrirá a picada?
        Quem fará a trilha?
        Quem compactará a estrada?
        Sem esforço nada teremos.
        Se o grão não morre não nasce a planta.
        Sem parto não haverá nova vida.
        Sem esforço e dedicação
        fenece a cidade, a família e o cidadão.
        O que vem do céu é a chuva e o sol,
        e até balão e avião.
        Se não plantarmos e cuidarmos
        só teremos capim para os quadrúpedes,
        e pouco mais.
        Cuida de tua planta e do teu chão
        e colherás frutos e sombra.
Cuida de teu espírito e terás a benção.
        Cuida de teu bem e terás amor.
        Com amor e dedicação
        inspiração e  transpiração,
e um pouco de sagacidade,
        Terás tudo o que precisares.
        Não queiras o que não produziste
        para não seres usurpador ou ladrão.
        Não queiras surrupiar o trabalho dos outros,
Se não o pagaste.
        Não sejas escravo de ti mesmo
Escravo de tua ambição.
        Faz e terás
        pois é dando que se recebe.
        O suor e o amor darão a vida,
        o amor, e o afeto,
        a casa e a comida!
        Se não cuidares da terra,
        Se não suares a camisa,
        não terás direito ao pão,
        ao teto, ao afeto nem a consideração.
        Não serás merecedor do sol
        que te aquece
        nem da chuva que te refresca
        nem da sombra que te protege
        nem do amor que te acalenta e te completa.
        Esta é a lei da vida,
        a lei de Deus e dos homens.
        Tudo o mais é degradação;
        é enveredar pela contramão.

Por um mundo Uno e Plural